Pesquisar neste blogue

A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Moradas de Deus

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.

sábado, 21 de outubro de 2017

Como seres inacabados

«Nas mãos do oleiro/ o universo descobre-se/ inacabado»

Uma das formas fundamentais da sabedoria é a descoberta que cada um de nós vai fazendo, a ciclo e a contraciclo, a tempo e fora de tempo, na nossa vida. E numa vida adulta avançada, muitas vezes é isto que experimentamos: descobrimo-nos inacabados porque nos descobrimos nas mãos do oleiro.

É importante associar a experiência da vida em aberto e a experiência de estarmos a viver continuamente um processo de criação.

Este dia da nossa vida, em que parece que já não há nada para acontecer, em que parece que já vivemos tudo o que havia a viver, é um dia da criação.

«O que se instala na perfeição/ desconhece aquilo/ que só a indigência revela»

Um dos maiores obstáculos na vida espiritual é a ideia ou desejo de perfeição, porque eles se configuram como o anseio de sair para fora da nossa vida, imaginar uma vida outra, viver com a culpa ou a miragem de uma vida que não é nossa.

O objetivo do trabalho espiritual não é colocar-nos fora de órbita, mas reenviar-nos para o coração da existência, para o que somos, abrindo-nos para uma arte inesperada que é a da indigência - percebermos que na nossa imperfeição há uma sabedoria que está a ser revelada.

A verdadeira sabedoria, que nos faz tocar o coração da vida, é a da indigência, da pobreza, do tosco. Tudo o resto são fórmulas, que podem até ser úteis, mas não são a experiência; podem ser um belo sentimento, uma bela paixão, mas não são aquilo que nós podemos viver.

«Diariamente repito/ escolhas e imperfeições:/ a natureza dos seres em solidão»

É importante percebermos que a nossa escolha é sempre imperfeita, e que diariamente habitamos o imperfeito de forma estável.

É importante levarmos a sério a nossa própria vida, aquilo que somos, abraçarmos a nossa solidão. Porque esse abraço àquilo que somos de forma desprevenida, despojada, é a única possibilidade de um abraço de Deus, a única possibilidade de um abraço que nos salva.

«O meu desejo na primavera:/ que mesmo as flores selvagens/ venham florir à minha porta»

Gostamos da arte da jardinagem, e por vezes a nossa vida é uma arte permanente. Olhamos para o jardim, gostamos, não gostamos, intervimos, cortamos, cerceamos; é muitas vezes um jardim à maneira francesa, com aquele gosto pelas figuras geométricas, pelas formas, pelo jogo da simetria, pelo pandã.

Por vezes, a nossa forma de arrumação torna-se uma obsessiva ilusão, porque a vida é viva, isto é, é informe, em bruto, não trabalhada. Temos de desejar os nossos canteiros muito bem ordenados e floridos, mas também desejar que as flores selvagens, de que não conhecemos o nome nem a forma, venham florir à nossa porta.

Elas dão-nos o espelho do nosso inacabamento, dão-nos a impressão não de uma vida doméstica, que é sempre uma vida domesticada, mas a impressão de uma vida outra, de uma vida na sua torrente, na sua originalidade, na sua verdade.

«A vida monástica/ é uma forma de nudez/ que não se envergonha de si»

É essencial olharmos para uma das imagens iniciais do livro do Génesis, quando Adão e Eva se descobriram nus e se esconderam de Deus. Esta metáfora é também muito da nossa existência.

A nossa vida espiritual é muitas vezes uma arte de esconder, uma arte de não revelar. E a vida que mostramos a Deus é subtraída, é uma vida que nós queremos ser digna de ser vista por Deus, mas que deixa de ser a nossa própria vida.

Os mestres da vida espiritual mostram-nos precisamente o contrário: a Deus, temos de levar a nossa nudez, isto é, a nossa radical verdade, a vida destapada, desoculta e informe."

José Tolentino Mendonça 

Monjas Dominicanas do Mosteiro de Santa Maria, Lumiar, Lisboa a 9 de novembro de 2013
In SNPC

Que o Espírito Santo desinstale a Igreja e mude os corações de pedra

Papa pede à Igreja para não resistir ao Espírito Santo e abdicar de «posições estáticas e imutáveis»

"O papa Francisco pediu hoje aos católicos para não se oporem à ação do Espírito Santo, ainda que essa atitude implique desinstalação e fadiga, porque «é Ele que dá harmonia à Igreja».

«Trata-se de uma perspetiva de esperança, mas ao mesmo tempo laboriosa, na medida em que está sempre presente em nós a tentação de resistir ao Espírito Santo, porque transtorna, porque mexe, faz caminhar, impele a Igreja a andar em frente», afirmou na missa a que presidiu na catedral do Espírito Santo, em Istambul, Turquia.

Para a Igreja «é sempre mais fácil descansar nas próprias posições estáticas e imutáveis. Na realidade, a Igreja mostra-se fiel ao Espírito Santo na medida em que não tem a pretensão de o regular e domesticar».

A Igreja, frisou, «mostra-se também fiel ao Espírito Santo quando deixa de parte a tentação de olhar para si mesma. E nós, cristãos, tornamo-nos autênticos discípulos missionários, capazes de interpelar as consciências, se abandonamos um estilo defensivo para nos deixarmos conduzir pelo Espírito», que é «frescura, fantasia, novidade».

Depois de lembrar que o Espírito Santo suscita os múltiplos carismas na Igreja, o que «aparentemente» é motivo de «desordem» mas constitui uma «imensa riqueza», Francisco alertou para os perigos de as comunidades cristãs se enclausurarem em si mesmas.

«Quando somos nós a querer fazer a diversidade e nos fechamos nos nossos particularismos e exclusivismos, levamos a divisão; e quando somos nós a querer fazer a unidade segundo os nossos planos humanos, acabamos por levar a uniformidade e a homologação», apontou.

A abertura e o discernimento são elementos essenciais da identidade da Igreja: «As nossas defesas podem manifestar-se com o enraizamento excessivo nas nossas ideias, nas nossas forças», ou «com uma atitude de ambição e de vaidade».

Nas anteriores intervenções do papa na Turquia, com autoridades religiosas e civis, Francisco apelou ao entendimento entre islão e cristianismo, baseado nos seus pontos de convergência; a mesma mensagem foi agora dirigida para o interior das comunidades cristãs.

«Os mecanismos defensivos impedem-nos de compreender verdadeiramente os outros e de nos abrirmos a um diálogo sincero com eles. Mas a Igreja, que brota do Pentecostes, recebe o fogo do Espírito Santo, que incendeia o coração, mais do que enche a cabeça de ideias», apontou.

O «vento» do Espírito Santo, prosseguiu o papa, «não transmite um poder, mas capacita para um serviço de amor, uma linguagem que cada um é capaz de compreender».

«No nosso caminho de fé e de vida fraterna, quanto mais nos deixarmos guiar com humildade pelo Espírito do Senhor, mais superaremos as incompreensões, as divisões e as controvérsias, e seremos sinal credível de unidade e de paz», declarou o papa Francisco."

por Rui Jorge Martins, em 29 de novembro de 2014 in SNPC

O paraíso é um estado de alma

Na comunhão com Deus o ser humano alcançará a plena maturação

"«Mais do que um lugar», o «Paraíso» é um estado de alma, afirmou hoje o papa Francisco na audiência geral semanal que decorreu na Praça de S. Pedro, no Vaticano.

A poucos dias do início do Advento, tempo litúrgico que a partir de domingo evoca o fim dos dias e a vida eterna com Deus, o papa realçou que nessa comunhão o ser humano alcançará «a plena maturação», refere a Rádio Vaticano.

«Seremos finalmente revestidos da alegria, da paz e do amor de Deus de modo completo, sem mais nenhum limite, e estaremos face a face com Ele. É belo pensar nisto, pensar no Céu», assinalou.

O que se passará após a morte e a eternidade estão entre algumas das inquietações mais profundas do ser humano, desde sempre: «Surgem em nós, espontaneamente, algumas perguntas: quando acontecerá esta passagem final? Como será a nova dimensão na qual a Igreja entrará? O que será então da humanidade? E da criação que nos rodeia?».

«Estas perguntas não são novas, já as tinham colocado os discípulos a Jesus», recordou Francisco, acrescentando: «São perguntas humanas, perguntas antigas. Também nós fazemos estas perguntas».

Francisco lembrou que para o cristianismo há continuidade entre a Igreja que está no Céu e a que vive na Terra: «Na perspetiva cristã, a distinção já não é entre quem já morreu e quem ainda não está, mas entre quem está em Cristo e quem não está. Este é o elemento determinante, verdadeiramente decisivo para a nossa salvação e para a nossa felicidade».

De acordo com a revelação bíblica, o que se perspetiva é uma «nova criação»: «Não é, portanto, uma destruição do cosmo e de tudo o que nos rodeia, mas um levar cada coisa à sua plenitude de ser, de verdade, de beleza». (...)."

Redação: Rádio Vaticano, Trad. / edição: Rui Jorge Martins, Publicado em 26 de novembro de 2014 in SNPC

Um conto de fadas censurado

Este ano a Disney estreou um filme onde, pela primeira vez, existe uma personagem homossexual. Nalguns países a polémica foi grande e chegou a haver censuras e cortes para que o filme fosse exibido. Cito algumas das notícias referentes ao assunto.

Corte de cena "homossexual" adia estreia de "A Bela e o Monstro" na Malásia

"Os estúdios Disney adiaram a estreia de "A Bela e o Monstro" na Malásia, que estava marcada para quinta-feira, depois de o país ter aprovado a exibição de uma cena, uma vez cortada, com uma personagem homossexual.

A estreia do filme tinha sido aprovada pelo Comité de Censura da Malásia, depois de lhe ter sido retirada uma cena que envolvia o que os censores classificaram como um "momento homossexual", mas as duas maiores exibidoras do país receberam ordens para adiar o filme, sem adiantar as razões, como escreve a Associated Press.

O jornal malaio de língua inglesa "The Star" escreve, citando os estúdios Disney, que a estreia do filme foi adiada para uma "avaliação interna".

Nesta versão do filme de animação da Disney, agora com atores reais, está em causa a personagem LeFou, comparsa de Gaston, o vilão da história, e que, segundo o realizador Bill Condon, "está confuso sobre a sexualidade dele".

A afirmação foi aproveitada pelos media para se referirem a LeFou como a primeira personagem da Disney assumidamente homossexual, mas o ator que a interpreta, Josh Gad, veio a público dizer que "não havia nada no argumento que indicasse que LeFou era 'gay'".

Certo é que na Malásia, maioritariamente muçulmana e onde, até 2010, vigoraram fortes restrições sobre conteúdos sexuais e religiosos, o filme foi sujeito a cortes e classificado para maiores de 13 anos.

Na semana passada, a Rússia revelou que o mesmo filme foi classificado para maiores de 16 anos.

"A Bela e o monstro", que também se estreia na quinta-feira nos cinemas portugueses, é uma nova versão do filme de animação da Disney, de 1991, e conta a história de Bela, uma rapariga que aceita viver no palácio de um príncipe que, por estar sob o efeito de um feitiço, assume a figura de um monstro.

Esta nova versão conta no elenco com Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Ewan McGregor, Emma Thompson, Ian McKellen, Stanley Tucci e Kevin Kline."

14 de março de 2017 in JN

Em Alabama, um cinema recusou-se a exibir o filme

"A Disney aposta em atores para dar roupa nova à eterna magia de "A Bela e o Monstro", o antigo conto francês de 1740 que já foi imortalizado pelo estúdio em forma de animação em 1991.

Desde que o diretor Jason Scott Lee irritou os puristas com um Mowgli adulto em "O Livro da Selva" (1994) e principalmente a partir de "Alice no País das Maravilhas" de Tim Burton (2010), o estúdio lançou várias versões atualizadas das suas animações mais famosas, gerando quatro mil milhões de dólares em todo o mundo.


Nos últimos anos, este processo acelerou, tendo em conta os resultados muitas vezes inesperados nas bilheteiras.

Após "Cinderela" (2015) e mais uma versão de "O Livro da Selva" (2016), com efeitos especiais de espantar, é a vez de "A Bela e o Monstro", um dos tesouros da Disney, de receber um 'lifting' em versão carne e osso.

Com a inglesa Emma Watson, de 26 anos, que cresceu a interpretar Hermione Granger na saga "Harry Potter", no papel de Bela, o filme estreia na quinta-feira nos cinemas portugueses.

É pouco dizer que a obra é ansiosamente esperada: o seu trailer foi visto 92 milhões de vezes num único dia, um recorde.

"A Bela e o Monstro" custou a soma impressionante de 300 milhões de dólares, mas não deve ter dificuldades em recuperar os seus custos: já se tornou o filme para toda a família que mais vendeu ingressos em pré-venda da história, de acordo com o site Fandango, batendo "À Procura de Dory".

Os analistas esperam 150 milhões de dólares de receitas só no fim de semana de estreia nos EUA.

Uma nova versão rodeada de polémica
Este também poderá ser um dos 'remakes' mais controversos da história da Disney.

Muitas polémicas movimentaram as redes sociais: da forma do bule da Sra. Potts a uma imagem um pouco desnuda de Emma Watson na revista Vanity Fair, que se defendeu dizendo que expor o contorno dos seios não contradizia o seu compromisso de embaixadora das Nações Unidas para a causa das mulheres.

Para não esquecer a polémica sobre Le Fou, o lacaio de Gaston, claramente gay na nova versão (interpretado por Josh Gad), o que faz dele o primeiro personagem abertamente LGBT dos estúdios Disney.

Pelo menos um cinema do Alabama, estado conservador do sul dos Estados Unidos, recusou-se a exibir o filme. E o governo russo propôs uma proibição antes de declarar o filme impróprio para menores de 16 anos, enquanto o governo da Malásia optou pela censura, cortando 'um momento gay', levando a Disney a optar pelo seu adiamento.

"Qual é o objetivo desta história de 300 anos? Trata-se de olhar mais de perto e aceitar as pessoas pelo que realmente são", afirmou o realizador Bill Condon ("Twilight", "Dreamgirls") numa recente conferência de imprensa com jornalistas, em los Angeles.

"De uma forma simbólica para a Disney, incluímos todo o mundo", acrescentou.

Seis anos após o último dos oito "Harry Potter", Emma Watson, que recusou o papel que valeu o Óscar a Emma Stone em "La La Land" para poder ser ar Bela, surge no mais importante papel da sua vida adulta.

"O slogan do filme é 'um conto tão antigo quanto o mundo' e é verdade", avaliou a atriz na antestreia em Hollywood, cujo elenco apresenta uma verdadeira constelação: Kevin Kline, Emma Thompson, Ewan McGregor, Ian McKellen, Stanley Tucci... e Dan Stevens (de "Downton Abbey") na pele peluda do Monstro.

"Adoro o facto de que, na nossa versão, a Bela não é alguém distante e isolada. No nosso filme, ela é uma ativista na sua própria comunidade", destacou Emma Watson, que disse amar tanto a versão cinematográfica de Jean Cocteau e René Clément de 1946 quanto a animação de 1991.

Se não é um fã das versões 'live action' dos clássicos da Disney, saiba que é melhor preparar para os próximos anos: 13 outros títulos estão atualmente em várias fases de produção, incluindo "Cruela", sobre a vilã de "101 Dálmatas", e ainda "Mulan", "Dumbo" e "Aladdin"."

14 de março de 2017 in Mag Sapo

Lei da “propaganda gay” quase levou a Rússia a censurar A Bela e o Monstro

A notícia seguinte não se confirmou, o filme foi moderadamente exibido e antecipadamente declarado um fracasso de bilheteira. Serve a notícia para contextualizar a polémica gerada na Rússia.

"Novo filme tem o primeiro personagem abertamente gay da história da Disney e inclui uma cena de amor homossexual. Alguns políticos russos estão a pedir para que seja banido do país.

A Rússia tem uma controversa lei que proíbe aquilo a que chama “propaganda gay” junto de crianças e é ao abrigo deste diploma que alguns políticos estão agora a pedir que A Bela e o Monstro, remake do filme de animação da Disney de 1991, seja banido do país. Motivo: a nova produção, que não é animada, inclui o primeiro personagem abertamente gay dos célebres estúdios e uma cena de amor homossexual.

LeFou (Josh Gad), o braço-direito do mulherengo Gaston (Luke Evans), o antagonista da história que quer ganhar o afecto de Belle (Ema Watson) a todo o custo, começa por se mostrar confuso em relação à sua orientação sexual e acaba… Bom, Bill Condon, o realizador, não quer revelar o destino desta personagem, mas numa entrevista recente à revista Attitude Magazine, que trazia os protagonistas do remake na capa (Watson e Dan Stevens, o “Monstro” do título), garantiu que a obediência de LeFou ao seu senhor vai além da lealdade e que o filme inclui um “bom momento exclusivamente gay”.

O ministro da Cultura russo, Vladimir Medinski, está a ser pressionado para que se pronuncie sobre se o filme viola ou não a lei em vigor relativa à difusão de conteúdos de natureza homossexual a menores. Isto para que possa decidir-se a exibição (ou não) nas salas de cinema espalhadas pelo país.

O deputado Vitaly Milonov, do partido Rússia Unida, o do Presidente Vladimir Putin, já veio dizer que o filme é uma “vergonhosa propaganda do pecado” e pediu ao ministro da Cultura para que o proíba.

Milonov é um dos principais adeptos do diploma que ficou conhecido como a lei da “propaganda gay” e que foi aprovado em 2013, apesar dos protestos de vários movimentos de direitos humanos, sobretudo da comunidade LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros e Intersexuais), dentro e fora do país.

Segundo o diário britânico The Independent, esta lei descreve a homossexualidade como uma “relação sexual não-tradicional” e proíbe todos os conteúdos capazes de promover “a negação dos valores tradicionais da família”.

Alexander Sholokhov, que tal como Milonov pertence às fileiras do partido conservador, está entre os que exigem ao ministro que tome medidas de imediato.

Na sequência desta polémica recente, o responsável pela Cultura já garantiu que a nova produção vai ser passada a pente fino: “Assim que tivermos uma cópia do filme […] vamos examiná-lo à luz da lei”, disse Vladimir Medinski.

A homossexualidade foi descriminalizada na Rússia em 1993, recorda a televisão britânica BBC, e removida da lista nacional de distúrbios psiquiátricos seis anos depois, mas a perseguição à comunidade LGBTI continua.

A estreia russa está agendada para 16 de Março. A Bela e o Monstro prepara-se para ser um sucesso de bilheteiras à escala planetária, com ou sem a Rússia."

a 5 de março de 2017 in Público

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Deus em Sophia

Este texto é de autoria de Frederico Lourenço, foi publicado na sua página de Facebook e foi-me autorizada a sua utilização neste blogue.

Deus – nos poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen

"No dia 2 de Setembro deste ano, tive o grato prazer de participar numa conversa íntima (só que diante de 400 pessoas) sobre a obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen. Os meus interlocutores eram Ana Luísa Amaral e Miguel Sousa Tavares. Fomos admiravelmente moderados por Anabela Mota Ribeiro. O auditório da Biblioteca Almeida Garrett (Porto) encheu-se para nos ouvir – e tanto a Ana Luísa como o Miguel deram pistas extraordinárias para a compreensão da poesia de uma autora que, cada vez mais, se revela aos falantes de língua portuguesa como criadora de uma obra que, na sua aparente e desarmante simplicidade, está, como a de Mozart, ao nível do maior conseguimento artístico em termos absolutos.

A minha intervenção centrou-se sobretudo no tema «Sophia e Deus». Há muito tempo que esta pista para a compreensão da sua obra me atrai e fascina. Mas não é uma clave de leitura evidente. Na verdade, quem faça a extraordinária viagem da alma que é ler, de fio a pavio, as mais de 900 páginas da Obra Poética de Sophia de Mello Breyner Andresen na excelente edição da Assírio & Alvim, rapidamente chega a esta conclusão: nos poemas da genial autora não faltam «deuses». Mas «deus» é uma palavra que encontramos com muito menos frequência. E as vezes em que por «deus» se pode entender «Deus» são mesmo raríssimas.

No entanto, a obra poética de Sophia está cheia de Deus. Quantas vezes é enunciada a palavra «Deus» na «Arte da Fuga» de Bach? O facto de a resposta ser «zero» não significa que a «Arte da Fuga» não tenha como sujeito, tema e objecto «Algo» que só podemos enunciar por meio da palavra Deus.

Deus é ubíquo na obra poética de Sophia, porque é a sua aparente ausência que denuncia a sua presença. Num livro publicado em 1958, a autora escreve «és sempre um deus que nunca tem um rosto / por muito que eu te chame e te persiga» (Mar Novo).

Já antes, num livro publicado em 1947, lêramos uma das mais assombrosas definições de Deus que eu conheço: «Deus é no dia uma palavra calma / um sopro de amplidão e de lisura» (Dia do Mar).

Para Sophia, Deus não está ausente do mundo: está dentro dele, em cada milímetro quadrado do mundo. Basta estarmos atentos para captarmos a presença de «esse deus que se oferece, como um beijo, nas paisagens» (Dia do Mar).

Deus é o visível, é a imanência do real. Amá-lo significa amar a realidade, o visível: o «amor pelas coisas visíveis» e o canto poético que as celebra actuam como «oração em frente do grande Deus invisível» (Livro Sexto). Amar a Deus é amar o real.

Cinco anos após a publicação de Livro Sexto, foi-nos dado a ler em Geografia (1967) este credo extraordinário: «não trago Deus em mim mas no mundo o procuro / sabendo que o real o mostrará» (Geografia).

A relação entre o plano divino e o plano humano é vista como um enigma de sugestão e de silêncio: «Escuto e não sei se o que oiço é silêncio ou deus» (Geografia).

Que deus é este? É o Deus criador do céu e da terra? Em Geografia, lemos «o universo não brota das mãos de um deus do gesto e do sopro de um deus da alegria e da veemência de um deus».

É o Deus trino dos cristãos? «O Deus uno de desvios nos protege» (Ilhas)

É um Deus que nos dá a vida eterna? A única resposta de Sophia é: «Buscamos um deus que vença connosco a morte.... pois caminhamos nos cadafalsos do tempo» (Geografia).

Dentro deste deus não estarão deuses anteriores ao Deus cristão? Dioniso, «deus que nos deste a vida e o vinho» (Poesia, 1944)? E Apolo, «deus puro... deus sem espinhos e sem cruz» (Dia do Mar)?

Mas o Deus cristão também é puro. O que O separa do nada é a palavra. E não é o teólogo que tem poder sobre ela, mais sim o poeta, o aedo, «o recitador... que entoa a veemência pura da palavra, / Fronteira de puro Deus e puro nada» (O Nome das Coisas)

Numa obra poética exígua em igrejas cristãs, mas rica em templos gregos, afinal onde Deus está é cá fora – não é na igreja, não é no templo.

Porquê? Porque «a casa de Deus está na terra onde os homens estão» (Poemas Dispersos).

E perguntemos de novo: porquê? «Porque Deus nos criou para a alegria» (Poemas Dispersos)"

A Igreja desconfia de quem pensa diferente

Uma entrevista a Dom Pio Alves no final do seu segundo mandato na Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, publicada no site do SNPC a 30 de Abril de 2017. Partilho-a pois revejo na análise de D. Pio Alves a realidade de uma igreja, e em particular muitos sacerdotes, que temem a cultura e a arte contemporânea e que a desejam "controlar" e "manipular" sem conhecimento de causa nem preparação para o fazer. Acredito que há muita falta de visão e de humildade por parte de muitos, o que dificulta e limita a criação de Obras de Arte Sacra contemporâneas que venham a tomar parte na grande História Universal da Arte.

Igreja tem de afastar «clichés de desconfiança» com quem pensa diferente, afirma bispo responsável pela Cultura

"O bispo responsável pelo setor da Pastoral da Cultura na Igreja católica em Portugal considera que a Igreja tem de «saber pôr de lado clichés de desconfiança que não levam a parte nenhuma» e que levam a cultivar «distâncias que na realidade não existem».

D. Pio Alves termina agora o segundo mandato de três anos à frente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, o que estatutariamente o impede de ser reeleito.

O novo responsável será provavelmente eleito esta quarta ou quinta-feira, último dia da assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, que decorre em Fátima, e que tem em agenda a eleição dos presidentes das várias Comissões Episcopais.

Em entrevista ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, o prelado, também bispo auxiliar do Porto, mostra-se surpreendido pela disponibilidade e cordialidade que tem encontrado em pessoas afastadas da Igreja mas que aceitam colaborar nas iniciativas promovidas por ela.

Nestes seis anos o que descobriu sobre a realidade da Pastoral da Cultura?O que descobri com mais clareza, ainda que não tenha sido uma novidade radical, foi todo o trajeto que vinha a ser feito de diálogo e encontro, formal e informal, com pessoas dos mais variados âmbitos da cultura. Um trajeto que continua a ser feito sem constrangimentos, sem pedras no sapato, mas ao mesmo tempo aberto à conversa e com resposta muito positiva aos pedidos de colaborações em diferentes iniciativas por parte de pessoas de quem se poderia pensar, à partida, que não estariam disponíveis nem interessadas num trabalho de proximidade com instituições da Igreja católica.

Essa aproximação deve-se à atenuação de alguma tensão que houve entre a Igreja e o mundo da cultura?A atenuação que se vai construindo resulta da disponibilidade dos interlocutores, mas principalmente do à-vontade com que a Igreja se encontra com pessoas que supostamente não estariam interessadas em dialogar connosco.
Uma coisa que sempre me impressiona no contacto com pessoas procedentes dos diversos âmbitos da cultura, tal como em intervenções de carácter pastoral no meu ministério na diocese do Porto, é que nós, com alguma frequência, temos uma imagem negativa, ou pelo menos de um certo temor, relativamente a pessoas que por vezes efabulamos que não querem ou não gostam, e tenho sido sempre muito gratamente surpreendido pela sua disponibilidade, amabilidade e recetividade. É evidente que tudo isto pressupõe, da nossa parte, respeito, saber estar e, ao mesmo tempo, sabermos apresentarmo-nos com clareza, sem nos escondermos.

Inclusive com não crentes?Tenho essa experiência com pessoas não crentes concretamente no âmbito do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, e o mesmo acontece, por iniciativa e mérito dos diretores dos respetivos Secretariados, nos Bens Culturais e nas Comunicações Sociais, pela via de pedidos de colaboração, pela via de portas que se abrem, em que encontrei habitualmente uma resposta de muita disponibilidade e, sempre, de respeito e agradecimento por parte das pessoas, sendo como são, respeitando nós a sua legitima maneira de ser e diferença, e, repito, não nos escondendo nós atrás de falsas especificidades.

Que fatores mais positivos identifica nestes dois mandatos?Saliento as iniciativas que vinham da presidência anterior da Comissão [D. Manuel Clemente], e que se prolongaram, no primeiro mandato que me foi confiado, com a direção do Secretariado por parte do P. Tolentino e depois com o Prof. José Carlos Seabra Pereira, e que se mantiveram em sentido crescente, sempre com a preocupação de não pôr ninguém de lado.
Sublinho também, como factor de identidade para o Secretariado, para a Comissão e para a Igreja em Portugal, o "site" da Pastoral da Cultura, que, devo dizê-lo publicamente, é muito da responsabilidade do Rui Martins. É um lugar de enorme visibilidade, um lugar a que acorrem pessoas das mais variadas sensibilidades, as quais sabem, assumidamente, que estão a consultar uma informação que resulta de uma instituição que formalmente depende e é da Igreja católica. Penso que o "site" é uma porta aberta e um sinal clarividente daquilo que é a nossa relação construtiva com o mundo da cultura, especificamente, e com a sociedade em geral, uma vez que o "site" é consultado por pessoas das mais diversas proveniências.

O que é que esperava que poderia ter sido feito na Pastoral da Cultura mas não foi conseguido?Não podemos multiplicar as iniciativas, até porque os recursos humanos e materiais, sempre necessários, têm as limitações que resultam das disponibilidades de todos. Penso que não se trata propriamente de aumentar o número de iniciativas materiais, mas fundamentalmente de apostarmos na continuidade e na extensão da qualidade das iniciativas que já estão no terreno. Há iniciativas que estão ainda a dar os primeiros passos, algumas resultantes de parcerias com instituições mais próximas ou menos próximas da Igreja católica.
Provavelmente podemos melhorar o dar continuidade, no melhor sentido da palavra, aos contactos pessoais que pela via dos convites se vão fazendo. Estas pontes que se estabelecem devem, sem qualquer intenção invasiva, melhorar e crescer pela via de um relacionamento pessoal, aproveitando as mais variadas circunstâncias. Esse é um campo que estará sempre em aberto e que vale a pena continuar a cultivar.

Como descreveria a sensibilidade do episcopado e de toda a Igreja em Portugal em relação à Pastoral da Cultura?No que diz respeito à preocupação e atenção dos senhores bispos à Pastoral da Cultura e o reflexo disso na Conferência Episcopal, diria que qualquer uma das dioceses tem muitas frentes, muitas questões a resolver, e é evidente que a problemática relacionada com o mundo da cultura é uma delas. Percebo que os senhores bispos, por vezes assoberbados por questões aparentemente muito mais imediatas, possam descansar naquilo que o Secretariado e a Comissão vão fazendo, sendo que, na realidade, o Secretariado pode, como tem vindo a fazer, tomar iniciativas de carácter nacional, ajudar a criar sensibilidade, dar formação, abrir portas; mas na realidade concreta do terreno será cada diocese, com a sua especificidade, quem terá de concretizar iniciativas no setor. Olhando para o todo das dioceses portuguesas, a atenção à realidade da Pastoral da Cultura é diferente de umas para outras. Há dioceses que têm uma resposta mais organizada e estruturada e outras menos, mas isso não significa menor interesse; significa, provavelmente, que as forças não chegam a tudo e há outras necessidades mais imediatas que se vão sobrepondo.
Quanto à segunda parte da pergunta, a minha experiência em âmbitos que vão além do sentido estrito da Pastoral da Cultura, que é a de uma diocese onde encontramos as mais variadas realidades, posso dizer, pelo contacto muito próximo e direto que tenho com as diferentes pastorais, concretamente no Grande Porto, que tenho uma experiência muito grata de contacto com o mundo das escolas e da saúde. Num e noutro caso encontro-me com profissionais de nível académico e onde, à partida, nomeadamente no âmbito escolar, pode parecer que há ressentimentos, autodefesas ou olhares de exclusão em relação à Igreja. No âmbito de visitas pastorais é proposta às escolas a possibilidade de o bispo ir informalmente ao seu encontro para conversar, num gesto de cortesia, com as instituições; a recetividade que sempre, mas sempre, encontrei nas escolas - e não me refiro ao setor da Educação Moral e Religiosa Católica, mas à instituição no seu todo, estruturas diretivas, corpo docente - traduz um ambiente de amabilidade, distendido e, diria mais, de afeto e carinho com a pessoa do bispo. E nos centros de saúde e hospitais a reação é exatamente a mesma
Tudo isto ajuda-nos a perceber que temos de saber pôr de lado clichés de desconfiança que não levam a parte nenhuma e que, por vezes, fazem com que cultivemos distâncias que na realidade não existem.

Como classificaria a relação da Igreja católica em Portugal com o mundo da cultura?É uma relação positiva. Insisto que, muitas vezes, a distância é criada mais na nossa mente do que na realidade. Nós, às vezes, indevidamente, cultivamos o medo e uma distância que não têm tradução na realidade. É evidente, e não se pode negar, que há dificuldades, que nem todos pensam da mesma maneira, que há pessoas que nos querem ver longe, mas não se pode tirar a conclusão de que nos temos de fechar sobre nós mesmos por estarem todos à nossa espera para nos atirarem pedras. Isso não é verdade.

Vai deixar a presidência da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais...Saio feliz com o trabalho que tive a oportunidade de realizar com os meus colegas bispos, e muito concretamente com os diretores dos respetivos Secretariados. Está prevista a limitação a dois mandatos, e eu acho bem."

Encontro de católicos LGBTQI em Munique

É já em Novembro que se realiza um encontro de católicos LGBTQI em Munique, aqui seguem as informações

“Ouve, Senhor, esta justa causa“ (Ps 17.1) 
Convite à 2ª Assembleia da Rede Global de Católicos do Arco-Íris 
30 Nov − 3 Dez 2017 in Munique-Dachau 

Após décadas de uma “era do gelo” em questões LGBTQI, o Papa Francisco abriu a Igreja para novas abordagens no trabalho pastoral com estas pessoas de nossa comunidade, ao mesmo tempo em que a doutrina moral parece continuar intocada, sem alterações. Esta situação cria tensões e controvérsias: algumas paróquias, dioceses e regiões utilizam esta nova oportunidade para criar espaços mais inclusivos e acolhedores, ao passo que outras reagem com hostilidade ainda maior aos avanços da sociedade como é o caso do casamento igualitário. Em meio a estas contradições, mais do que nunca é importante que a Igreja Católica “ouça o clamor por esta justa causa”.

Desde sua criação em outubro de 2015, a Rede Global de Católicos do Arco-Íris (GNRC) aproxima e reúne grupos e organizações que prestam atendimento pastoral e que atuam por justiça para as e os LGBTQI. A Rede luta pela inclusão, dignidade e igualdade desta comunidade na Igreja Católica Romana e junto à sociedade civil. A GNRC realizou sua 1a Assembleia em outubro de 2015 em Roma na conferência, “Caminhos do Amor”, com 80 participantes vindos de 30 países. Atualmente, a GNRC representa 25 grupos LGBTQI, suas famílias e parceiros de todos os continentes.

Por meio desta carta, gostaríamos de convidá-lo para a 2ª assembleia da GNRC que vai ocorrer em Munique, de 30/11 a 3/12 de 2017. Está será uma grande oportunidade para compartilhar nossas histórias e atuarmos de mãos dadas pelo avanço na Igreja Católica Romana na famosa capital da Bavária. Os anfitriões locais desta Assembleia, o Grupo de Trabalho Ecumênico Homosexuais e Igreja (HuK) e a Comunidade do Serviço Eclesial Queer Católico em Munique (Queergottesdienst), se preparam com grande expectativa para recebe-los em sua cidade.

Dois são os objetivos da assembleia: 1) consolidar o desenvolvimento organizacional da GNRC e 2) definir estratégias nas áreas cruciais, entre elas
  • o diálogo com lideranças da Igreja Católica. 
  • promoção de boas práticas de trabalho voltadas às pessoas LGBTQI e suas famílias 
  • realizar campanhas para obter uma declaração católica oficial que condene a criminalização das pessoas LGBTQI 
  • confrontar o discurso anti-gênero no interior da Igreja Católica. 

O idioma da conferência será o inglês. Haverá tradução das sessões plenárias para o espanhol e alemão. Haverá uma pré-conferência para os participantes africanos na quarta-feira, dia 29, ao meio-dia.

O programa complementar da Assembleia abrange 
  • uma visita guiada e orações no Memorial do Campo de Concentração em Dachau 
  • uma visita ao Mercado de Natal de Munique 
  • uma celebração eucarística na “Bürgersaalkirche” (Igreja Municipal) na cidade Munique 
  • um jantar típico da Bavária em Munique 

O local onde se realizará a Assembleia é a Casa de Hóspedes Juvenil Internacional (Jugendherberge Dachau) em Dachau, um subúrbio de Munique. A taxa de inscrição à conferência é de €200 (quarto com 3/4/5 camas), €250 (quarto duplo) ou €420 (quarto individual num hotel próximo) e inclui a hospedagem, todas as refeições e os passeios ao Memorial do Campo de Concentração e à cidade Munique.

Há dois programas de bolsas disponíveis para ajudar no tocante às taxas de inscrição destinadas aos seguintes grupos:

1. Participantes vindos do Sul Global (inclui apoio para os custos de viagem)

2. Participantes da Europa Central e Oriental (redução da taxa de inscrição)

A inscrição para a conferência e para candidatar-se às bolsas estão disponíveis neste link.

O prazo para solicitação de bolsas é 15 de agosto de 2017.

O prazo para inscrição com pagamento próprio e 15 de setembro de 2017.

A Assembleia tem apoio financeiro da Fundação Arcus e do Instituto Sociedade Aberta para a Europa.

Ruby Almeida Michael Brinkschröder

(Coordenadores da GNRC)

Contato para dúvidas relativas à assembleia (em inglês):
rainbowcatholics2017@gmail.com
+49 89 65102063
+49 1577 8814399

Para mais informações sobre GNRC

O diálogo interreligioso na vida e em imagens

© Monika Bulaj
Monika Bulaj

"Etíopes envolvidos nos xailes de musselina branca que regressam a casa depois de uma noite de vigília e cantos, os samaritanos em Israel no monte em que Abraão ofereceu em sacrifício o seu filho a Deus, os peregrinos russos nos Urais, as crianças albanesas que estudam o Corão na mesquitas, cerimónia vudu no Haiti, a mulher de hábito negro para a procissão da Desolada.

As viagens fluem uma após a outra compondo o itinerário de uma longa viagem: lugares longínquos, pessoas totalmente diferentes mas unidas por uma comum respiração de fundo, por um mesmo olhar para o alto, uma "atmosfera" semelhante as envolve. Homens e mulheres debaixo do mesmo Céu.

«Em grego e em latim - escrevia o historiador das religiões Elémire Zolla - fala-se do fascínio como de uma brisa, uma aura em espiral de pessoas ou lugares, que por vezes cresce, torna-se turbina, nuvem deslumbrante, reverberação dourada, inunda e provoca vertigem.» É a atmosfera que respira a fotógrafa e repórter polaca Monika Bulaj andando pelo mundo das fés.

«Há muitos anos - escreve Bulaj - viajo ao longo das fronteiras dos monoteísmos, em oásis de encontros infestados por fanatismos armados, pelas pátrias perdidas dos foragidos de hoje. Asilos da fé, como o Bósforo, onde as mulheres armenas e turcas adormecem junto ao sepulcro de um santo bizantino, praticando o "incubatio", de que se escrevia já antes de Heródoto, anestesiando com o sono a memória do extermínio que as divide.

Como os mosteiros no deserto egípcio, atacados pelos fanáticos. Como o Kosovo, onde os muçulmanos veneram o desafortunado santo dos sérvios, o rei Estêvão, cego pelo próprio pai e morto pelo filho. Como Damasco, onde cristãos, muçulmanos, xiitas e sunitas rezam lado a lado na mesquita dos Omayyadi, junto do catafalco de João Batista e debaixo do minarete de Cristo. Como o mosteiro Deir Mar Musa, cujas pedras foram novamente colocadas por cristãos e muçulmanos, por quem rezaram juntos durante um milénio na mesma Síria.»

Um trabalho que mudou ao longo dos anos. «No início documentava pequenas e grandes religiões à sombra de guerras antigas e recentes, e as suas cinzas. Depois, a determinado ponto, foram as minhas imagens a cercar-me, a falar em privado, narrando orações e sonhos, de água e de fogo, da memória, do teatro da festa dos mortos, do caminho dos cantos. O que faço agora é simples, quase infantil: recolho estilhaços de um grande espelho partido, milhares de estilhaços, fragmentos incoerentes, peças, átomos, talvez tijolos da torre de Babel.»

«Talvez isto possa fazer o fotógrafo, recolher pedaços de um mosaico que nunca ficará completo, colocar na ordem que lhe parece certa, ou talvez apenas possível, sonhando essa imagem total do mundo que talvez esteja perdida ou provavelmente se perdeu, como a língua de Abraão.» Uma lição. De fotografia. E de vida."

Texto de Giuseppe Matarazzo, In "Avvenire"
Publicado a 11 de Setembro de 2017 in SNPC

Encontro com Cristo para católicas e católicos LGBT portugueses

O grupo de Católicas e Católicos LGBT organizou mais um Encontro no passado dia 1 de Outubro. Peço desculpa aos meus leitores por não ter estado atento para noticiar no blogue. De qualquer forma aqui fica a informação da página facebook, para que possam acompanhar os próximos encontros

108º Encontro

E aqui vai o link da página facebook dos Rumos Novos

Pudores


Orgia gay na Congregação da Doutrina da Fé

E em dias onde se fala tanto das novas políticas de admissão aos seminários e de acompanhamento psicológico dos seminaristas (não tão novas, porque já foram noticiadas há algum tempo) - e sem poder evitar referir que a hierarquia da Igreja continua a confundir e a por no mesmo prato da balança distúrbios psíquicos e impulsos criminosos (pedofilia), orientação sexual, aceitação e vivência do celibato e vocação ou falta dela - não deixa de ser divertida a notícia publicada em julho deste ano, referindo a orgia interrompida pela polícia do Vaticano nos aposentos do cardeal Francesco Coccopalmerio. Será que a Igreja tem deficit de exame de consciência, de atitude reparadora e de sincera contrição? Para quando o abandono da hipocrisia? A orgia ocorreu em junho deste ano, e foi noticiada pelo DN a 5 de julho de 2017

Polícia do Vaticano interrompe orgia gay em apartamento de conselheiro do Papa

Habitação é propriedade da Congregação da Doutrina da Fé
"A polícia do Vaticano interrompeu uma orgia homossexual no apartamento onde vive o cardeal Francesco Coccopalmerio, um dos principais conselheiros do Papa Francisco.

A rusga aconteceu no mês passado mas só esta semana foi noticiado pela imprensa italiana e pelo britânico The Times.

A presença de Francesco Coccopalmerio na festa está a ser noticiada, mas tal não foi confirmado oficialmente.

O apartamento alvo da polícia está afeto à Congregação para a Doutrina da Fé, organismo que, entre outras atribuições, tem a responsabilidade de lidar com os escândalos de abuso sexual de menores por membros da igreja.

Já Coccopalmerio, além de ser próximo do Papa - segundo o The Times terá mesmo recomendado o secretário de Francisco - faz parte do Conselho Pontifício de Textos Legislativos.

A igreja católica volta assim a ser abalada por um escândalo sexual, pouco depois de o seu chefe das finanças, o cardeal George Pell, ter sido formalmente acusado de crimes sexuais."

In DN
Ler também o artigo publicado pelo The Times

Igreja Episcopal Escocesa celebra casamentos entre pessoas do mesmo sexo

Mark Runnacles/Getty Images
Depois de em 2014 ser possível casar pelo registo civil na Escócia, este ano também a Igreja Episcopal Escocesa, a Igreja Anglicana da Escócia, votou pela realização de casamentos gay pela Igreja. O primeiro casamento tem lugar no Outono de 2017. Passo a citar o artigo de Harriet Sherwood, do The Guardian, publicado a 8 de Junho de 2017. O texto será o original, em inglês:

Scottish Episcopal church votes to allow same-sex weddings

"Scottish Anglicans have voted overwhelmingly in favour of allowing same-sex couples to marry in church. The historic move sets the church on a potential collision course with the global Anglican communion and risks fracture within its own ranks.

The vote at the Scottish Episcopal church general synod makes it the first Anglican church in the UK to allow same-sex weddings, with the first ceremony likely to take place this autumn.

The move, which raises the prospect of gay Christians from England, Wales and Northern Ireland heading to Scotland for a church wedding, was hailed by gay rights campaigners.

Canon law was changed to remove a doctrinal clause stating that marriage is between a man and a woman. A new conscience clause allows clergy to opt out of performing same-sex weddings.

The decision invites the possibility of sanctions by the 80 million-strong Anglican communion. Last year, the US Episcopal church was subjected to punitive measures at the end of a four-day meeting of church leaders in Canterbury. They said the US church’s acceptance of same-sex marriage represented “a fundamental departure from the faith and teaching held by the majority of our provinces on the doctrine of marriage”.

Traditionalists insist that a literal reading of the Bible means marriage must be a lifelong union of a man and a woman and that the church must resist changes in social attitudes or cultural pressure.

Minutes after the vote, Gafcon, which represents conservative Anglicans worldwide, named Andy Lines as a new “missionary bishop” for Scotland. The post is intended to offer alternative leadership for traditionalist Anglicans opposed to the synod’s decision.

Lines told a press conference that the church was “not at liberty to tamper with [God’s] words” and that he would offer help and support to those “who wish to maintain the authority of the Bible”.

Jayne Ozanne, a leading campaigner for LGBT rights within the Church of England, said: “I’m thrilled that the Scottish Episcopal church has chosen to take this brave and momentous step in enabling same-sex marriage. This has been done in a graceful and sensitive way, recognising the differing views on how we interpret scripture, and is a model for others to follow.”

Vicky Beeching, another gay rights campaigner, tweeted: “Come on Church of England, we need you to watch & learn from Scotland’s bold step today. Hoping for that change someday soon.”

Archbishop Josiah Idowu-Fearon, secretary general of the Anglican communion, said he expected the decision to be discussed by Anglican primates who are meeting in Canterbury in October. He said: “There are differing views about same-sex marriage within the Anglican communion, but this puts the Scottish Episcopal church at odds with the majority stance that marriage is the lifelong union of a man and a woman. This is a departure from the faith and teaching upheld by the overwhelming majority of Anglican provinces on the doctrine of marriage.”

A spokesperson for the Church of England said the decision was a matter for the Scottish Episcopal church: “The Church of England is unable by law to marry couples of the same sex and the teaching of the Church of England remains unchanged. However, this is a matter on which there is real and profound disagreement in the Church of England.”

The change to canon 31 on the solemnisation of holy matrimony that was agreed by the Scottish Episcopal church required a two-thirds majority in each section of the synod, the bishops, clergy and laity. The bishops and laity voted 80% in favour, the clergy at 67%.

It removed a clause saying marriage was “a physical, spiritual and mystical union of one man and one woman … and is a holy and lifelong estate instituted by God”.

The new clause says: “In the light of the fact that there are differing understandings of the nature of marriage in this church, no cleric of this church shall be obliged to conduct any marriage against their conscience.”

Draft guidelines on the new canon produced by bishops before the vote acknowledged that the issue of same-sex marriage was “one of deep distress”.

The new position “does not alter the fact that within the church there remains a range of views on marriage”. The revised canon “permits those clergy who, on the grounds of conscience, wish to conduct the marriages of same-sex couples, to seek nomination to do so; it also allows that there will be those who, on the grounds of conscience, will not seek such nomination.”

Church employees and volunteers, such as vergers, organists, choristers and flower arrangers, should be allowed to exercise their conscience and decline to participate in same-sex weddings.

Proposing the change, John Armes, the bishop of Edinburgh, told the synod: “No one is being asked to change their theology of marriage.” The new canon was an official recognition of a diversity of viewpoints, he said. “It is permissive, not directive.”

Ian Ferguson, of Aberdeen and Orkney, the only Scottish diocese to oppose the change during consultations over the past year, said: “This is one of the saddest and most painful days for us … We are broken. This schismatic move … will cause serious harm to our unity.” Members of the church “may seek alternative episcopal oversight”, he said.

Same-sex marriage was legalised in Scotland in 2014."


Ler mais sobre:

Para não ser demasiado tarde

partilho um testemunho que nos alerta para não perdermos tempo. Seria bom que os pais que não aceitam os seus filhos o lessem. A vida são dois dias...

Até hoje
por João André Costa

"Eu e o Paulo temos uma relação. Pronto, já o disse. Eu e o Paulo sempre tivemos uma relação logo desde o primeiro momento em que nos vimos na Secundária. Ainda retenho a imagem na mente: ele na esquina do Pavilhão A, de calças à anos 90, justas e magras, como as pernas, compridas do chão ao tronco, um tronco elegante, despreocupado, à vontade por debaixo de um rosto calmo, curioso, de olhos negros como o cabelo forte, daquele cabelo que dá vontade de agarrar e encher as mãos, quase animalesco de tão farto. Bastou-nos meio segundo, e depois ele desviou o olhar.

Nessa tarde encontrámo-nos por detrás do ginásio, ele calado e eu também, ele a querer saber, a saber, e eu com as mãos suadas atrás das costas, a tremer, com um pé atrás e outro à frente, ele mais alto que eu, assim ao pé de mim, e eu a percebê-lo mais velho, talvez no 10º ou 11º, e eu ainda no 9º e tantos nervos, nunca tinha beijado ninguém e não queria deixar de beijar, os lábios dele vermelhos de sangue, de dor, vontade, paixão?, amor?, um passo em frente e fechei os olhos.
Até hoje.

Não sei quem teve mais dificuldade em aceitar a nossa relação, se os pais dele se os meus. Quando finalmente arranjei coragem para contar a toda a gente à mesa de jantar, a minha irmã desatou a rir-se, a minha mãe desatou a chorar e o meu pai perdeu a fala.
Até hoje.

E eu a pensar, a ansiar, a desejar tirar este peso de cima dos ombros, eu a querer contar, partilhar este amor, este ardor no peito de coração aos saltos sempre que estivemos juntos e sós, desde o escuro do anfiteatro da Universidade à sala de cinema, passando pela casa quando mais ninguém lá estava até à sala de enfermagem ao fim do turno. Eu a querer dar-lhes tudo e em trinta segundos perder um pai e uma mãe, porque a minha irmã não conta e a minha irmã já sabia (sempre soube) entre amigos e amigas, conversas de rua e conversas de escola. A minha irmã também é enfermeira. Até hoje.

Mas ao menos os meus pais não me puseram na rua. Pura e simplesmente deixaram de o ser, pais, demitindo-se com justa causa e por escrito. Já com os pais do Paulo foi bem pior, e como, mal ou bem, já estávamos os dois a trabalhar, alugámos um T1 no bairro e, aos 21, começámos uma vida juntos.
Até hoje.

Entretanto casámos, pelo Civil, pois claro, o Paulo pediu-me em casamento no nosso 3º aniversário depois de um jantar de mãos dadas e uma vida de mãos dadas e eu disse que sim, para sempre, e para sempre fechei os olhos. Na cerimónia apenas os padrinhos do Paulo e os meus, os que não fugiram, os que não nos deixaram.
Até hoje.

Hoje caminhamos na marcha. De mãos dadas com as alianças bem à vista, para todos, para que todos saibam e todos vejam, o meu pai, a minha mãe (porque a minha irmã não conta, já o disse). E não, pai, eu não trago o rabo à mostra nem penas ou asas de todas as cores, sou apenas eu, eu e Paulo e uma bandeira em cada mão, essa sim com todas as cores, como sempre fomos, de todas as cores desde que o vi na esquina do Pavilhão A. Podia ter sido uma rapariga, foi o Paulo, e eu nunca deixei de ser quem sou, nunca deixei de lutar, estudar e trabalhar, e o que se passa na cama e lá em casa é só connosco e mais ninguém. Não é pai? Porque mais ninguém tem nada com isso e eu também nunca te perguntei o que fizeste com a mãe antes de me fazeres ou enquanto me fizeste.

Estou a caminho de casa e o Paulo vem comigo. Batemos à porta e a minha mãe, com dois poços fundos de lágrimas no lugar dos olhos, abraça-me. Já não vou poder dizer nada ao meu pai."
in Público P3 a 25 de junho de 2017

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Um bispo que servia o povo

Segue uma segunda partilha que homenageia um bispo português e um homem bom, que soube servir o povo que lhe era confiado.

Bispo Vermelho

por Joaquim Franco a 25 de Setembro de 2017


"Recebia trabalhadores e sindicalistas, batia à porta de políticos e empresários, andava pelas ruas da cidade ao encontro dos que das ruas da cidade faziam casa". Joaquim Franco evoca Manuel Martins, o "bispo vermelho".

Aquela entrevista, nos idos anos 80, teria impacto na ainda pueril carreira do jornalista que ousava dedicar-se a um tema editorialmente difícil. "A Igreja tem de ser a voz dos sem voz". Ali estava uma âncora de frescura. Uma oportunidade de trazer a vivência eclesial, com todas as suas contradições e tensões, para a rama da informação. Pela voz de um homem de pequena envergadura, sorridente, que apoiava as palavras com o movimento das mãos dando-lhes a consistência de uma presença. Quando, na sua pronúncia do norte, o bispo Manuel Martins falava das "injustiças" e da "dignidade da pessoa humana", soava a poesia prática e assertiva.

Discípulo do pensamento de António Ferreira Gomes, e tal como Hélder Câmara, Manuel Martins dava o corpo e a alma à coerência evangélica. Com coragem, com frontalidades que lhe valiam inimigos e dissabores, mas com o respeito de todos. Sobretudo dos que se reviam naquele bispo combativo, dos mais pobres e humildes, dos desempregados, dos que não conseguiam chegar aos frios guichés da burocracia e da caridade, dos que na península de Setúbal trabalhavam sem receber salário. As periferias, de que agora tanto se fala, eram o espaço pastoral e social do bispo Manuel Martins.

Chegou à então recém-criada diocese de Setúbal em 1975. Moldou a ação à época pós-revolucionária. Quando a cintura industrial cedeu na península e as fracturas sociais alastraram, não hesitou em tomar partido pelas pessoas. Com a força da denúncia ou com a ação discreta e empenhada, no terreno, fazia pontes. Recebia trabalhadores e sindicalistas, batia à porta de políticos e empresários, andava pelas ruas da cidade ao encontro dos que das ruas da cidade faziam casa, sem teto, por imposição do desemprego ou apanhados depois nas redes da droga. A Cáritas de Setúbal, instituição solidária da Igreja, transformar-se-ia num refúgio para muitas destas pessoas. Também com o incentivo de Manuel Martins, havia em Setúbal uma tradição de padres operários. Nas fábricas, ombro a ombro, incentivavam os trabalhadores a reivindicar a dignidade. Alguns optaram pela política partidária e pelo movimento sindical, outro território de ação que o bispo acabaria por compreender.

São conhecidas as altercações com os poderes políticos. Martins denunciou a fome na península quando parecia que Lisboa não queria falar de tão incómodo assunto. Mário Soares e Cavaco Silva terão ficado muitas vezes com as orelhas vermelhas. Mais tarde, Soares diria em público que aqueles gritos de alerta do bispo de Setúbal lhe tinham feito bem.

Manuel Martins entendia que "a Igreja devia ser de esquerda e não de direita" (TSF, 26 março 2017). A expressão tem um contexto e deriva de uma visão própria sobre os critérios definidores do espectro político. Mas é esclarecedora quanto à forma como Manuel Martins posicionava a acção fundada no evangelho para a intervenção política e social. A Igreja "tem medo" (SIC, 22 fevereiro 2014), dizia, "e mudou o Credo, que passou a ser 'creio na Santa Igreja, católica, apostólica e... adormecida'", criticava.

Era um homem por vezes difícil de localizar, mas afável e disponível. Numa fria madrugada de novembro de 1991, recebeu no Paço a chamada de uma rádio a solicitar um comentário sobre a situação em Dili. Não só se disponibilizou, como esteve uma boa meia hora à conversa com o jornalista antes de entrar na emissão. Timor-Leste seria desde a primeira hora outra das suas causas visíveis, numa altura em que, pela tradição da prudência ou por desconhecimento, a diplomacia da Santa Sé e o clero em Portugal ainda hesitavam no alinhamento dos discursos. Chegou a fazer circular uma carta dirigida aos bispos europeus para que se unissem por Timor. Casalori repreendeu-o e proibiu-o de prosseguir com a ação.

Há uma vida de histórias reveladoras da personalidade. Quando chegou a Setúbal, foi, discreto e sem se identificar, assistir a um culto numa igreja protestante local. As cortes locais dos partidos mais à direita chegaram a recusar ir a missas presididas pelo "bispo vermelho". E que dirá aquela mulher que inadvertidamente deitou as chaves de casa no lixo e viu o bispo mergulhar no contentor para a ajudar a encontrá-las?

A morte é a mais previsível das contingências humanas. Morte física, porque a outra fica ao abrigo da fé e das interpretações filosóficas ou religiosas. Se pela condição da idade, estaríamos à espera da partida de Manuel Martins, já a morte recente de António Francisco dos Santos apanhou a Igreja e o país de surpresa. Manuel Martins sofreu muito com a morte precoce do bispo do Porto.

Não fomos a tempo de os juntar à mesa do café para registar a revisão sintonizada de memórias e leituras deste tempo de perplexidades. Devem estar juntos noutra dimensão, a limpar as arestas da Igreja e do mundo. Ou a usar o sentido de humor que os caracterizava - por vezes cáustico e incisivo na voz de Manuel Martins - para medir as acusações de heresia feitas ao Papa Francisco por um grupo de católicos integristas..."


Crise de bispos em Portugal

Bispos e padres acusam núncio em Lisboa de ser pouco humano e nada “franciscano”

Por António Marujo a 14 de Outubro de 2017

“Muitas vezes, é pouco humano.” O desabafo, em declarações ao Expresso, de um dos bispos portugueses, acerca do núncio (embaixador) da Santa Sé em Portugal é revelador do mal-estar que, numa parte significativa do clero, existe em relação a Rino Passigato.

Outro bispo, que tal como o anterior, prefere não ser identificado – como quase todos os vinte membros do clero com quem o Expresso falou – recorda que são conhecidos “os problemas que ele criara” na Bolívia e no Peru, onde esteve antes de vir para Portugal, no final de 2008. “Os bispos que ele nomeava eram de uma linha tradicionalista” ou apenas interessados na carreira e no poder, acrescenta. Em Portugal, diz ainda, também o tem tentado fazer, apesar de, em alguns casos, ter tido a oposição de bispos ou padres.

Um terceiro bispo acrescenta, sem rodeios, que o núncio “só faz disparates” e ouve poucas pessoas. E lembra que eram conhecidas as relações difíceis entre ele e o anterior patriarca de Lisboa, D. José Policarpo.

O desagrado começou cedo: pouco depois de chegar a Portugal, o conselho permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) perguntou a Passigato que critérios tinha para a nomeação de bispos, pois o núncio deixara de pedir sugestões de nomes. Os responsáveis da CEP queriam saber como passara a ser.

Também no Vaticano a imagem do núncio em Lisboa “é muito fraca”, diz outro prelado. E pelo menos dois cardeais com funções muito importantes junto do Papa falam de um comportamento e uma forma de decidir “deplorável” e “incompetente”.

Todo este mal-estar se reavivou com a morte inesperada do bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, que criou mais uma vaga no episcopado português, a acrescentar a uma lista de substituições nada fácil: Évora (desde Abril do ano passado), Funchal (Abril deste ano) e Viseu, cujo bispo pediu também no mês passado – e viu ser aceite – a sua renúncia ao cargo, por razões de saúde.

Vila Real entra no rol já no próximo mês de Abril, quando Amândio Tomás completar 75 anos – por essa razão, terá de apresentar o pedido de renúncia. Santarém esteve sem bispo durante um ano, tendo o sucessor de Manuel Pelino sido nomeado sábado passado. Esta conjugação de vagas significa que o actual núncio moldará de forma decisiva o episcopado português dos próximos anos.

Receios e más memórias

Os receios de membros do clero em relação ao papel de Passigato prendem-se, também, com casos anteriores. Um deles tem a ver com a mudança de António Francisco, de Aveiro para o Porto, em Março de 2014. O processo demorou nove meses, depois da saída de Manuel Clemente para Lisboa, e a lentidão mereceu muitas críticas públicas à nunciatura.

Na altura, o bispo que agora morreu também resistiu à nomeação – e sofreu com ela: Aveiro era um barco à medida dos seus remos, costumava ele dizer, acabando nomeado contra a sua vontade e sem ter em conta a boa relação da diocese com o bispo. Os católicos de cada diocese também deveriam ser chamados a dar a sua opinião, dizia, em 2015, em entrevista à revista espanhola “Vida Nueva”, o próprio D. António Francisco.

No último momento antes da nomeação para o Porto, um grupo de padres aveirenses tentou demover o núncio. Passigato foi alertado para os problemas cardíacos do bispo – pouco tempo antes, tinha mesmo feito um cateterismo e os pais morreram ambos com um AVC.

O núncio “não esteve bem”, diz ao EXPRESSO o padre João Alves, ex-reitor do Seminário de Aveiro e, desde Setembro, pároco numa das paróquias da cidade. “A nomeação para o Porto não teve em conta os problemas de saúde”, sublinha. E diz: “Quando ele saiu de Aveiro, muitos previmos um futuro não muito longo, porque conhecíamos bem o seu jeito próximo de ser bispo.” Desde o início, vários perceberam que uma morte assim “era previsível.”

Por tudo isso, o padre aveirense – que, em 2014, esteve com o núncio – escreveu, logo depois da morte de D. António, ao diplomata, lamentando a “frieza” com que foram acolhidos há três anos e o desfecho do processo, mesmo se “não se deve falar em culpados”. Até ao fecho desta edição, não recebera qualquer resposta.

Outros padres recordam ainda o caso do actual bispo de Angra, João Lavrador. Conta-se que ele pediu ao núncio para não ir para os Açores, por ter ambos os pais acamados e a precisar de apoio. Acabou mesmo nomeado, em Setembro de 2015. O pai morreu em Abril de 2016 e a mãe em Janeiro deste ano. “Fala-se muito sobre a família, mas depois tomam-se decisões destas”, lamenta um padre. O próprio bispo não comentou.

Há uma outra voz que recorda: no livro “Cartas ao Papa”, o antigo bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, obrigado ao exílio por Salazar na década de 1960, dizia que seria “bem mais competente e eficaz” que o papel dos núncios fosse desempenhado pelos bispos locais e pelas conferências episcopais.

Dia 27 de Setembro, o Expresso dirigiu várias perguntas ao núncio apostólico. Apesar da insistência, não foram recebidas quaisquer respostas."

Primeiro-damo

Durante a manhã, Destenay juntou-se às primeiras-damas numa visita ao Museu Magritte
(Foto de Eric Lalmand/AFP/Getty Images)
O marido do primeiro-ministro luxemburguês

Não é uma notícia nova, mas só agora consegui publicá-la. Partilho-a mas desejaria que não fosse necessário escrever notícias sobre estes assuntos... que o respeito fosse regra em todas as sociedades humanas.

"É a foto de família das primeiras-damas da NATO. Entre nove mulheres, está um homem. É Gauthier Destenay, o marido do primeiro-ministro do Luxemburgo.

***

Já é habitual. As mulheres dos líderes mundiais que se reúnem nas cimeiras da NATO posam para a fotografia oficial das primeiras-damas. A deste ano introduz um pormenor histórico. Pela primeira vez, há um marido de um primeiro-ministro entre as nove mulheres. É Gauthier Destenay, casado com o líder do Luxemburgo.

A fotografia foi tirada na passada quinta-feira durante um jantar no Castelo Real de Laeken, na Bélgica, enquanto os líderes mundiais estavam reunidos. De fato preto e gravata azul, Destenay posou na segunda fila ao lado dos vestidos e saltos altos das primeiras-damas.

Destenay estava atrás da mulher de Donald Trump e de Emine Erdogan, mulher de Tayyip Erdogan, Presidente da Turquia. Brigitte Trogneux, mulher de Emmanuel Macron, Presidente da França, também estava na fotografia.

Gauthier Destenay, de 44 anos, é arquiteto e casou com o atual primeiro-ministro luxemburguês, Xavier Bettel, em 2015, numa cerimónia com cerca de 500 convidados no Cercle Cité no Place d’Armes, no centro da capital, tornando-se o primeiro líder homem a casar com alguém do mesmo sexo durante o seu mandato. Na altura, o casamento foi visto como um sinal de abertura para o Luxemburgo."

In Observador, a 26 de Maio de 2017

O Casamento

"Xavier Bettel, primeiro-ministro do Luxemburgo, casou-se com Gauthier Destenay. Este é o primeiro casamento homossexual de um líder europeu.

***

O primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel e o seu parceiro Gauthier Destenay chegaram de mão dada à câmara municipal da capital para se casarem.

A cerimónia civil aconteceu durante a tarde de sexta-feira, dia 15 de maio, e juntou a imprensa e cerca de 250 pessoas. Antes de Bettel entrar na câmara municipal com o seu parceiro, o primeiro-ministro luxemburguês desejou que todos os presentes sejam tão felizes como ele esteve durante o dia do seu casamento.

Tal como previa Stéphane Bern, amigo próximo e locutor francês, foi uma cerimónia “rápida mas com um simbolismo muito forte.

Para além de Bern, estavam entre os convidados Félix Braz, ministro da Justiça luxemburguesa e François Bausch, ministro das Infraestruturas. Também esteve presente o especialista em sociedade Pierre Dillenburg, que recentemente celebrou o seu casamento com Roland Hüdsch.

Charles Michel, primeiro-ministro belga, também assistiu ao acontecimento. Em declarações à imprensa, Michel acredita que este casamento é um sinal de abertura luxemburguesa a certos assuntos sociais, numa altura em que a homofobia cresce na Europa.

Xavier Bettel torna-se o primeiro líder europeu a casar com alguém do mesmo sexo. Após a cerimonia, Bettel e Destenay celebraram a união com cerca de 500 convidados no Cercle Cité no Place d’Armes, no centro da capital. As celebrações continuaram amanhã no La Gaichel, o prestigiado restaurante com uma estrela Michelin.”

In Observador, a 15 de Maio de 2017

Divisão e partilha nas tarefas da parentalidade

Porque ainda faz falta educar os pais e as mães?

Partilho este vídeo pois infelizmente ainda há muito caminho a percorrer em questões ligadas à igualdade de género, questões de partilha de responsabilidades, deveres e direitos em casais heterossexuais, onde o sexismo ainda dita hábitos.

Ver o vídeo no facebook

Amor é Amor

Love is Love


Vozes de um bispo chegam ao céu

A propósito da recente morte do antigo bispo de Setúbal D. Manuel Martins, partilho um artigo de Setembro passado em modo de homenagem

Morre um bispo, vai morrendo meia Igreja
Marcelo Rebelo de Sousa na análise aos “católicos progressistas”.

Por Paulo Mendes Pinto

"Quando no dia 19 de Abril assisti à apresentação do livro de Joaquim Franco e António Marujo sobre o Papa Francisco (Papa Francisco - A Revolução Imparável, Manuscrito, 2017), não esperava grande reflexão por parte de Marcelo Rebelo de Sousa, que apresentava a obra. A simples presença do Presidente da República na inspiradora igreja do convento dos dominicanos, em Lisboa, era por si só motivo de aglomeração de gentes. Era já um facto inegável e um momento especial. Mas nada me faria prever uma mensagem que fosse além do que seria normal dizer sobre a pastoral de um jesuíta auto transformado em Francisco.

Mas como o melhor da vida são as coisas inesperadas, a apresentação do livro feita pelo Chefe de Estado fez jus ao que de melhor tem o professor Marcelo Rebelo de Sousa. Católico, conhecedor da realidade da sua Igreja, ator e personalidade atenta a esse universo e a toda a sociedade civil, Marcelo rapidamente complementou a sua reflexão sobre o Papa Francisco com uma reflexão sobre os autores, a forma apaixonada como abordaram este Papa e, acima de tudo, o próprio catolicismo nacional.

Teria sido muito bom se muitos bispos tivessem assistido à única e irrepetível aula de Marcelo sobre Cristianismo Contemporâneo e, em especial, sobre catolicismo e sociedade no Portugal contemporâneo. Se todos o sabemos conservador, de direita, o que ele afirmou foi de uma sobriedade, de um esclarecimento, de uma capacidade de entender o tecido social e a sua relação com as instituições, verdadeiramente única.

Que os autores do livro se posicionavam do lado dos que aguardavam do Papa ainda mais reformas, ainda mais posições a favor das questões sociais, das problemáticas que a Igreja tem vindo a adiar, isso era claro para Marcelo, tal o era para todos os que, em sintonia, assistimos à sessão. Mas Marcelo foi mais longe. Ao olhar intelectualmente para os autores, para o Joaquim Franco e para o António Marujo, fazendo a ressalva das suas jovens idades, colocava-os na genealogia dos católicos progressistas da década de sessenta do século passado.

E ao alinhar estes dois jornalistas com essa plêiade de intelectuais católicos, e de esquerda, valorizava de forma clara, explicitando-o, o lugar social da luta de esquerda dentro de uma Igreja que não pode ser monolítica. O ponto alto, para um quase êxtase místico de muitos que não esperavam ouvir isto, foi quando o católico e conservador Presidente da República afirmou que hoje faz falta, à Igreja e à sociedade, o incómodo, a luta desses católicos comprometidos com um discurso político de esquerda. E a Igreja está mais pobre na medida em que esse grupo vindo das décadas de sessenta e de setenta se vai erodindo, vai perdendo gente e espaço social, vai sendo menos influente. Essa via de pensamento e de atitude faz falta à Igreja Católica, afirmava Marcelo Rebelo de Sousa.

E hoje, essa via faz ainda mais falta. Faleceu talvez a voz mais consequente dos chamados católicos de esquerda, o “Bispo Vermelho”. É claro que a vitalidade de pensamento da Igreja Católica em Portugal tem várias outras vozes de consenso com a rutura, que não se preocupam por se aproximarem das margens, por fazerem novo pensamento fora da tradição e do imobilismo que gera o conservadorismo. Podemos ler Frei Bento Domingues, o.p., tal como o fazemos com Anselmo Borges. Podemos ter sempre a voz também incómoda e até irreverente de Januário Torgal Ferreira, bispo emérito das Forças Armadas e de Segurança, ou de Frei Fernando Ventura. Mas retomo Marcelo Rebelo de Sousa na sua ímpar capacidade de analisar a complexidade social.

Se as sociedades são diversas, se as interpretações dos Textos Sagrados são, também elas, diversas, então a unanimidade nunca será saudável em horizonte religioso, qualquer que ele seja. Marcelo Rebelo de Sousa deu-nos duas lições nessa sessão. Por um lado, que faz falta a diversidade, especialmente quando ela funciona como alarme social para nos fazer pensar e agir. Mas, por outro, deu-nos uma segunda lição: que a diversidade é sempre positiva e deve ser valorizada. Quem dera que os católicos de esquerda tivessem hoje mais peso, disse Marcelo.

Hoje têm, de facto, menos peso, numa Igreja que precisa destas vozes que nos estremeçam e nos retirem da letargia. Seja na Igreja Católica ou noutra confissão, seja em casa, na família ou no trabalho.

Ser conformado é a pior das sinas.

Coordenador da área de Ciências das Religiões da Universiade Lusófona"
In Público, 26 de Setembro de 2017

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Um encontro de bloggers LGBTI

Nem só de palavras vive o gay

O autor do blogue adolescente gay tomou a iniciativa de organizar um jantar / encontro da blogosfera. É uma óptima iniciativa à qual o moradas de deus se vai associar. O intuito será apenas o convívio entre autores de blogues que abordam a temática LGBTI em Portugal. Os leitores dos blogues também estão convidados.

Para saberes mais, lê AQUI

sábado, 13 de maio de 2017

Temos Mãe

Papa Francisco na missa de canonização dos pastorinhos, em Fátima

Da missa, hoje de manhã, ficam as palavras repetidas duas vezes pelo Papa Francisco: "temos uma Mãe". O papa referiu também que em Fátima todos têm lugar debaixo deste "manto de luz" de Maria, e que com ela estamos em boas mãos. O tom inclusivo que caracteriza este nosso Papa voltou a marcar o seu discurso.

A Fé, por Migues Esteves Cardoso

Acreditar em Deus

por Miguel Esteves Cardoso, a 12 de Maio de 2017

A fé não é fulgurante. É simples. Lembro-me de ser pequenino e acreditar nos anjos da guarda. Mas com essa idade acredita-se em tudo. Parte-se do princípio que todos os seres existem, a começar pelos invisíveis que vivem no fundo do jardim e por aqueles que esperam pela noite para nos assustar.

A fé não é uma prova de superioridade. Nada há de menos atraente do que a satisfação dos crentes olhando com carinho e condescendência para os ateus, abanando as cabecinhas enquanto sorriem e sussurram que não desesperem porque o tempo deles também há-de vir.

Comigo a fé veio do reconhecimento da minha incapacidade, por muito que eu lesse e estudasse, para compreender o que se passava à minha volta. Do "quem sou eu para saber?" veio a consciência de um Deus que sabe. Não uma pessoa, precisamente: um Deus.

A fé é uma desistência de mestria, de domínio, de arrogância. É um acto de humildade que alivia (do esforço escusado de compreender e saber tudo) e que liberta, porque nos deixa ficar nesta vida e neste mundo, mais ou menos contentes com o que temos.

A fé é irrelevante à existência de Deus. Pretender o contrário é mera propaganda. Em nada pode ser melhor a pessoa com fé do que quem não a tem. As palavras mais importantes desta simples verdade são "em nada". O facto das pessoas quererem ser religiosamente indoutrinadas e dirigidas é uma realidade humana que em nada tem - ou pode ter - a ver com a divina.

Graças a Deus. E independentemente de nós. E muito menos de cada um de nós.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Holofotes em Fátima

Fátima, 100 anos depois

Não querendo deixar passar a data em branco, e por não ser um especialista de Fátima, moradasdedeus partilha com os seus leitores o Macroscópio de ontem, publicado no Observador, de José Manuel Fernandes

"Amanhã chegará a Portugal o Papa Francisco que presidirá à peregrinação que marca o centenário da primeira das aparições, a 13 de Maio de 1917. Uma boa ocasião para regressar a uma reflexão sobre o sentido de Fátima e sobre o seu significado para os portugueses. (...) Vamos apenas procurar guiá-lo através de alguns textos que podem ajudar a compreender melhor Fátima e as controvérsias quase tão antigas como a primeira das aparições.
A abrir gostaria de chamar a atenção para um dos textos que ajudaram a divulgar as aparições e mais terão contribuído para a credibilização do milagre de Fátima: a reportagem do enviado do jornal “O Século”, Avelino de Almeida, que a 13 de Outubro de 1917, foi uma das testemunhas do chamado “milagre do Sol”. A reportagem – Coisas espantosas! Como o sol bailou ao meio dia em Fátima – está reproduzida em vários sites (como este) e seria depois complementada com um testemunho porventura mais pessoal publicado duas semanas depois na Ilustração Portuguesa em conjunto com a reportagem fotográfica de Judah Ruah (de quem são a maioria das fotografias conhecidas desse da multidão que nesse dia se reuniu na Cova de Iria, nomeadamente a que abre esta newsletter). É desse segundo texto aquela que é, porventura, a passagem mais conhecida do seu testemunho: “E, quando já não imaginava que via alguma coisa mais impressionante do que essa rumorosa mas pacífica multidão animada pela mesma obsessiva ideia e movida pelo mesmo poderoso anseio, que vi eu ainda de verdadeiramente estranho na charneca de Fátima? A chuva, à hora prenunciada, deixar de cair; a densa massa de nuvens romper-se e o astro-rei – disco de prata fosca – em pleno zénite, aparecer e começar dançando n’um bailado violento e convulso, que grande número de pessoas imaginava ser uma dança serpentina, tão belas e rutilantes cores revestiu sucessivamente a superfície solar… / Milagre, como gritava o povo; fenómeno natural, como dizem sábios? Não curo agora de sabê-lo, mas apenas de te afirmar o que vi… o resto é com a Ciência e com a Igreja…

(Quanto aos testemunhos do que se passou nesse dia de Outubro o Observador recolheu alguns deles, assim como reuniu as imagens mais significativas, numa fotogaleria especial, em grande formato: 13 testemunhos sobre o "milagre do Sol".)

Feita esta rápida incursão ao passado, vejamos o que dizem hoje os historiadores, sendo que estes discutem sobretudo como Fátima se transformou no fenómeno que hoje é, mais do que debatem a autenticidade do que se passou. Ora uma dessas interpretações clássicas é a de Vasco Pulido Valente, que no seu livro A República Velha, dedica um subcapítulo a Fátima. No Observador reproduzimo-lo com o título Fátima, a política e a República. Pequena passagem, relativa à atitude que a Igreja portuguesa foi tendo ao longo dos anos: “Ao começo, a hierarquia manteve uma distância prudente, como se costuma dizer. O que significa que, ajudando e permitindo, só se comprometeu quando a reputação de Fátima estava estabelecida e o seu valor como símbolo político confirmado.

Mas neste ano de 2017 tem sido abundante a publicação de livros, tendo a Rita Cipriano selecionado alguns em O que ler durante a visita do Papa Francisco. Estão lá onze referências sobre Fátima mais três relativas ao Papa Francisco, todas apresentadas de forma muito breve.

Uma análise mais longa da bibliografia recente, comparando-a com as obras clássicas e com a monumental Documentação crítica de Fátima (cinco volumes organizados pela Igreja Católica, mais um volume com uma selecção dos principais documentos relativos ao período 1917-1930 e que está disponível em PDF) é a do longo ensaio de António Araújo no Público, Fátima, cem anos depois, publicado no passado mês de Fevereiro. Na sua síntese, depois de grandes controvérsias, hoje “prevalece uma abordagem mais serena e desapaixonada, da História à Teologia”.

Prova de que há sempre descobertas a fazer foi a revelação, ainda em Março, de que um anúncio no Diário de Notícias previa Fátima dois meses antes. É uma história curiosa, contada por João Céu e Silva, sobre uma pequena inserção publicitária, a 10 de Março de 1917, onde se escrevia: “135917. Não esqueças o dia feliz em que findará o nosso martírio. A guerra que nos fazem terminará." Estranho, mas interessante e sem aparente explicação.

Mas passemos agora à conversa – julgo ser este o termo mais adequado – que se tem desenvolvido entre vários padres e teólogos sobre o sentido e o significado de Fátima e a interpretação a dar ao que foi relatado pelos pastorinhos. Duas entrevistas de D. Carlos Azevedo – uma ao Expresso, outra ao Público – chamaram a atenção pelos seus títulos. “Nossa Senhora não aprendeu português para falar com Lúcia”, no Expresso. “Maria não vem do céu por aí abaixo”, no Público. Eis uma passagem com o essencial da sua posição, retirada desta última referência: “Chegou o momento para falarmos com linguagem exacta. Joseph Ratzinger no ano 2000, quando fez o comentário teológico à última parte do segredo de Fátima, usou sempre a palavra visões e esse é o rigor teológico. O grande teólogo Karl Rahner também escreveu um livro sobre visões e profecias, usando a palavra visões. Esse é o termo exacto.”

Esta leitura remate precisamente para um texto de Joseph Ratzinger escrito antes de ser eleito papa e tomar o nome Bento XVI, um texto teológico de grande densidade que foi escrito pelo então responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé a propósito da revelação, por João Paulo II, do famoso “terceiro segredo”. Esse texto, intitulado simplesmente A Mensagem de Fátima, está disponível em português no site do Vaticano.

(Sobre as circunstâncias da revelação desse “terceiro segredo” vale a pena ler a entrevista que Aura Miguel, da Rádio Renascença, fez ao Cardeal Angelo Sodano, o homem que, no ano 2000, por decisão do Papa, levantou o véu do “terceiro segredo” de no final da missa de 13 de Maio, em Fátima, quando se soube que a visão era sobre as lutas contra os cristãos e contra o “homem vestido de branco”. A sua interpretação é que dar a decisão de João Paulo II o fazer foi por querer "relançar uma mensagem de esperança”).

A interpretação desse texto e a discussão sobre se estamos perante “visões” ou “aparições” já suscitou dois textos com interpretações diferentes no Observador: o padre Gonçalo Portocarrero de Almada interrogou-se sobre o tema em Fátima (1): Aparições ou visões?, tendo defendido que “Na Cova da Iria os pastorinhos tiveram visões e não aparições, mas o valor não é menor porque, como notou Bento XVI, visões têm uma força de presença tal que equivalem à manifestação externa sensível”; já o cónego José Manuel dos Santos Ferreira, num texto com um título quase igual, Fátima: visões ou aparições?, seguiu uma linha porventura mais tradicionalista: “Também os fenómenos físicos que acompanharam os acontecimentos de Fátima e foram observados por numerosas testemunhas, não podem ser frutos de uma visão imaginativa. O seu número é impressionante. Esses fenómenos exteriores manifestam sem qualquer dúvida possível a presença efetiva de uma pessoa celeste.

Ao mesmo tempo também há os que, dentro da Igreja Católica, contestem Fátima e o seu significado, nalguns casos de forma muito desabrida, noutras de forma mais moderada. Tânia Pereirinha do Observador falou com alguns deles em “Aquilo para mim não é Nossa Senhora, é um pedaço de barro!”. Dois padres – Anselmo Borges e Mário de Oliveira –, um frade – Frei Bento Domingues – e um bispo – D. Januário Torgal Ferreira – expuseram os seus argumentos. E se a contestação de Mário de Oliveira tem muitas décadas, a reflexão de Anselmo Borges, bem mais moderada, ficou também exposta em dois artigos no Diário de Notícias: O que eu penso sobre Fátima (1) e O que eu penso sobre Fátima (2). Nesses textos, para além de regressar ao tema das visões ou aparições, este padre considera que o núcleo da mensagem de Fátima é, “Em primeiro lugar, a oração. É uma grande mensagem? É. Para crentes e não crentes. Quem não precisa de rezar?” Já à outra mensagem, "Fazei sacrifício e penitência", considera que deve ser dado um enquadramento mais cuidadoso: “O sacrifício pelo sacrifício não vale nada, mas, por outro lado, sem sacrifício, nada de grande, de verdadeiramente valioso, se realiza”.

Ainda no domínio da teologia, uma referência para o texto de Paulo Mendes Pinto, especialista em Ciência das Religiões, na Visão: De “aparição” a “visão”: Ratzinger e a redefinição de Fátima como objecto de teologia. Eis o seu ponto de vista: “Ao definir Fátima como uma “visão”, subalterniza teologicamente o que possa ter acontecido, tornando-o “particular”, mas abre ao infinito todas as possibilidades de interpretação, dando guarida às formas mais pessoais de viver a fé. Isto é, ao libertar Fátima do peso excessivo de toda e qualquer narrativa, colocando sempre acima a Revelação bíblica, o futuro Papa dava a Fátima a possibilidade de fugir ao tempo, ao contexto e de continuadamente se poder recriar na maleabilidade e na subjectividade de cada crente no seu momento e no seu contexto específico.

Mas de todos os textos que tenho vindo a referir, talvez o mais notável, na minha perspectiva, seja o que resultou da conversa muito franca e aberta de João Francisco Gomes, do Observador, com o bispo de Leiria/Fátima, D. António Marto: “Representava melhor o diabo do que o anjo, ironia do destino”. Nela o teólogo que confessa ter sido céptico de Fátima explica como foi evoluindo na sua posição. Primeiro: “Quando acabei o curso, era um racionalista, éramos muito racionalistas. Tudo tinha de passar pelo filtro da razão, portanto tudo o que fosse de um ponto de vista mais do aspeto emocional, sentimental, era desvalorizado. Às vezes olhávamos até com desdém, com desprezo, para as expressões de piedade popular.” E depois: “Punha em causa algumas expressões da fé (risos). Sobretudo a piedade popular, mas isso era típico de uma espécie de cultura de elites, que olha com desprezo para o que é do povo, para o que é popular. A partir daí, mudou a minha maneira de ver e de avaliar esse aspeto da piedade popular. Claro que a piedade popular também precisa de ser purificada com os critérios do Evangelho, mas tem valores profundos, que não podemos desprezar sem mais.

Ao mesmo tempo, a estreia do mais recente do mais recente filme de João Canijo, Fátima –, um filme que acompanha um grupo de mulheres que peregrina desde Vinhais, que Eurico de Barros, no Observador, considerou que irá “ocupar um lugar especial, pelo método de elaboração e pelo ponto de vista, pela ponta inédita em que pega e pela qualidade dramática, pelo peso de verismo e pela isenção de “parti pris” e de julgamento, na filmografia nacional dedicada ao fenómeno fatimista” – suscitou também algum debate – este entre não crentes. O tiro de partida foi dado por Daniel Oliveira, no Expresso, numa coluna a que chamou Fátima, reflectiu sobre como “é difícil compreender este nosso povo sem compreender o culto mariano, a função libertadora do sacrifício e a experiência coletiva da fé.” Viu mais, pois em Fátima sinais de um “espírito comunitário” que aprecia. Fernanda Câncio veio contrariá-lo no Diário de Notícias, em Do ut des, ou Fátima, altar do egoísmo, onde defende a tese completamente oposta, a de ali só existe um “individualismo egomaníaco”.

Partindo deste filme, da entrevista de D. António Marto e também do que se diz nestes textos, eu próprio escrevi no Observador um texto assumidamente pessoal: Fátima, ou a confissão de humildade de um não-crente. Eis a forma como termino: “Não posso, nem devo, deixar de me emocionar quando olho para os peregrinos que se dirigem a Fátima animados por algo que é muito mais do que pedir uma graça, cumprir uma promessa ou simplesmente ajoelhar-se, acender uma vela e rezar. Tal como não posso deixar de pensar naquilo que não alcançamos, recordando de novo Bento XVI nessa mesma aula: “o perigo do mundo ocidental é que o homem, obcecado pela grandeza do seu saber e do seu poder, esqueça o problema da verdade”. Humanamente e simplesmente.

A fechar, até porque este Macroscópio já vai longo, mais uma inevitável referência ao último Conversas à Quinta, Fátima, da I República à tradição do culto mariano. Como saberão eu seu o primeiro fã deste programa, não por ser o moderador, mas pela imensa qualidade dos dois "conversadores", Jaime Gama e Jaime Nogueira Pinto. Desta vez arrisco dizer que a conversa foi ainda foi melhor do que o habitual. Superlativa, quer pela forma como Jaime Gama enquadrou Fátima na religiosidade popular e na tradição portuguesa, quer pelo que Jaime Nogueira Pinto recordou do Portugal (e do Mundo) de 1917. Não percam (também em podcast)."

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

Queres falar?

Podes escrever-me directamente para

rioazur@gmail.com

ou para

laioecrisipo@gmail.com (psicologia)


Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.

Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

Contribuidores

Amigos do blogue

Arquivo do blogue

Mensagens mais visitadas nesta semana

Categorias

11/9 (1) 2011 (1) 25 de Abril (1) 3ª idade (1) 5ª feira Santa (1) abandono (2) abertura (4) aborto (3) abraão (1) abraço (1) abusos (4) acção (3) aceitação (3) acolhimento (15) acompanhamento (3) açores (1) acreditar (1) acrobacia (1) activistas (2) actores (1) actos dos apostolos (1) actualidade (79) adão e eva (1) adesão (1) adeus (2) adilia lopes (2) administrativo (1) admiração (1) adolescentes (1) adopção (15) advento (10) afecto (3) africa (21) africa austral (1) africa do sul (8) agenda (1) agir (1) agressividade (1) água (2) alan gendreau (1) alegorias (1) alegria (8) aleluia (1) alemanha (14) alentejo (3) alerta (1) Alexandre Quintanilha (1) alimento (1) alma (4) almada (1) alteridade (1) alternativo (9) amadeo de sousa cardoso (1) amargura (1) américa (5) américa central (1) américa latina (10) AMI (1) amigo (3) amizade (3) amnistia internacional (2) amor (44) amplos (2) androginia (1) andrógino (1) angelo rodrigues (1) angola (2) animal (2) anjos (5) anselmo borges (1) anti-semitismo (1) antigo testamento (15) antónio ramos rosa (3) antropologia (1) anunciação (1) anuncio (1) ao encontro (1) aparência (1) aparições (2) API (1) apocalipse (1) apócrifos (1) apoio psicologico (1) apple (1) aprender (1) aproximar (1) ar livre (1) arabes (1) arabia saudita (2) arbitro (1) arco-iris (4) argélia (3) argentina (9) arquitectura (4) arrependimento (1) arte contemporanea (9) arte e cultura (303) arte sacra (45) artes circences (1) artes plásticas e performativas (29) artista (2) arvo pärt (5) ascensão (1) asia (9) asilo (2) assassinato (1) assembleia (1) assexuado (3) assexual (1) assexualidade (2) assintomático (1) associação do planeamento da família (1) associações (1) astronomia (1) ateliers (1) atenção (4) ateu (2) atletas (1) australia (6) autoconhecimento (1) autodeterminação de género (1) autoridade (1) avareza (1) ave-maria (2) azul (1) bach (4) bairro de castro (1) baixa (1) banco alimentar (3) bancos (1) bandeira (2) baptismo (1) baptizado (2) barcelona (4) barroco (3) basquetebol (1) beatificação (1) beatos (1) beckham (1) beijo (4) beja (1) bela e o monstro (1) beleza (15) bélgica (2) belgrado (1) belo (5) bem (4) bem estar (1) bem-aventuranças (1) ben sira (1) beneditinos (2) bento xvi (33) berlim (5) berlusconi (1) best-sellers (1) bethania (2) betos (1) bi (1) bíblia (39) bicha (1) bienal (1) bifobia (1) bigood (1) bill viola (1) biografias (21) biologia (4) bispos (9) bissexualidade (9) bizantina (1) bjork (1) blogue informações (43) blogues (2) blondel (1) boa nova (1) boa vontade (1) bom (1) bombeiro (1) bondade (1) bonecas (1) bonhoeffer (2) bose (3) botswana (1) boxe (2) braga (1) brasil (14) brinquedos (1) britten (1) budismo (2) bullying (5) calcutá (1) calendário (3) calvin klein (1) caminhada (1) caminho (5) campanha de solidariedade (5) campo de concentração (3) cancro (1) candidiase (1) candomblé (1) canonização (2) cantico dos canticos (3) canticos (2) canto (1) cantores (2) capela do rato (9) caraíbas (3) caravaggio (4) carcavelos (1) cardaes (1) carência (1) caridade (6) caritas (2) carlos de foucauld (1) carmelitas (2) carnaval (1) carta (14) carta pastoral (2) casa das cores (1) casais (11) casamento (59) casamento religioso (1) castidade (3) castigo (1) catalunha (1) catarina mourão (1) catecismo (2) catolica (1) catolicismo (24) causas (1) CD (1) cegueira (1) ceia (1) celebração (3) celibato (6) censos (3) censura (2) centralismo (1) cep (1) cepticismo (1) céu (1) chapitô (1) charles de foucauld (1) chatos (1) chechénia (1) chemin neuf (1) chicotada (1) chile (2) china (1) chirico (1) chorar (1) cidade (2) ciência (2) cig (1) cimeira (3) cinema (38) cinemateca (1) cinzas (1) circo (1) cisgénero (1) civismo (1) clamidia (1) clarissas (1) clausura (2) clericalismo (2) clero (4) cliché (1) co-adopção (3) coccopalmerio (1) cocteau (2) código penal (2) colaborador (1) colegialidade (1) colegio cardenalicio (2) colégio militar (1) colóquio (2) colossenses (1) combate (1) comemoração (1) comentário (1) coming out (1) comissão justiça e paz (1) comodismo (1) compaixão (1) companhia de jesus (10) comparação (1) complexidade (1) comportamento (2) composição (1) compromisso (1) comunhão (16) comunicação (1) comunidade (3) comunidade bahai (1) comunidades (2) conceitos (15) concertos (18) concílio (1) condenação (7) conferência (16) conferencia episcopal portuguesa (2) confessar (1) confiança (4) confissão (3) conformismo (1) conhecer (2) conjugal (1) consagrado (1) consciência (4) consumo (1) contabilidade (1) contemplação (4) contos (1) contracepção (1) convergencia (1) conversas (1) convivência (2) cópia (1) copta (1) coração (5) coragem (4) coreia do norte (1) cores (1) corintios (1) corita kent (1) coro (1) corpo (15) corpo de Deus (1) corporalidade (1) corrupção (1) corrymeela (1) criação (2) crianças (7) crime (8) criquete (1) crise (7) cristianismo (38) cristiano ronaldo (2) crítica (15) crossdresser (2) CRS (2) cruz (10) cuba (1) cuidado (1) culpa (3) culto (2) cupav (2) cura (2) curiosidade (6) cursos (4) CVX (1) dádiva (1) dador (2) dadt (8) daltonismo (1) dança (4) Daniel Faria (4) daniel radcliffe (2) daniel sampaio (1) danielou (1) dar (3) dar a vida (12) dar sangue (2) Dark Hourses (1) David (8) david lachapelle (3) defuntos (1) democracia (1) deportação (1) deputados (1) desassossego (3) descanso (1) descentralização (1) descobrir (1) desconfiança (1) descrentes (1) descriminalização (4) desejo (3) desemprego (1) desenho (12) deserto (2) desfile (1) desilusão (2) despedida (1) desperdicio (1) desporto (32) detecção (1) Deus (41) dia (1) diácono (1) diálogo (8) diálogo interreligioso (7) diferenças (3) dificuldade (1) dignidade (2) dinamarca (1) dinamismo (1) dinheiro (1) direcção espiritual (1) direito (30) direitos humanos (51) direitos lgbt (7) discriminação (29) discussão (5) disforia de género (1) disney (1) disponibilidade (1) ditadura (1) diversidade (7) divindade (2) divisão (1) divorciados (2) divórcio (3) divulgação (1) doadores (1) doclisboa (1) documentários (3) documentos (1) doença (2) dogma (1) dois (1) dom (5) dom helder câmara (1) dom manuel martins (2) dom pio alves (1) doma (1) dominicanas (4) dominicanos (6) donativos (1) dons (1) dor (3) doutores da igreja (1) doutrina da fé (2) doutrina social (4) drag (2) drag queens (2) dst (2) e-book (1) eckart (2) eclesiastes (3) eco (1) ecologia (5) economia (5) ecos (1) ecumenismo (11) edith stein (3) educação (7) efeminação (1) efeminado (2) egipto (2) ego (1) egoismo (1) elite (1) emas (1) embrião (1) emoção (1) empatia (1) emprego (10) enciclica (2) encontro (15) ensaios (11) ensino (1) entrevista (11) entrudo (1) equipa (1) equipamentos (1) erotismo (3) escandalo (2) escândalo (2) esclarecimento (1) escócia (1) escolas (5) escolha (1) escravatura (1) escultura (7) escuta (5) espaço (3) espanha (9) espanto (1) espectáculos (1) espera (4) esperança (3) esperma (4) espermatezoide (1) espírito (3) Espírito Santo (4) espiritualidade (92) esquecer (1) estatística (13) estética (3) estoril (2) estrelas (1) estudos (20) estupro (1) eternidade (1) ética (3) etty hillesum (4) eu (4) EUA (37) eucaristia (9) eugenio de andrade (4) eurico carrapatoso (8) europa (44) eutanásia (1) evangelho (16) evangelização (2) évora (1) exclusão social (2) exegese (1) exemplo (2) exercicios espirituais (1) exército (12) exibicionismo (1) exodus (1) exposição (1) exposições (13) ezequiel (1) f-m (1) f2m (1) facebook (4) fado (1) falar (1) falo (2) faloplastia (1) família (34) famílias de acolhimento (1) famosos (18) fardo (1) fátima (4) (20) fé e cultura (3) fecundidade (1) feio (1) felicidade (1) feminino (2) feminismo (1) fernando pessoa (1) festa (2) festival (11) fidelidade (1) FIFA (4) figuras (11) filhos (1) filiação (1) filipinas (1) filmes (27) filosofia (4) finlandia (1) firenze (2) flagelação (1) flaubert (1) flauta (2) floresta (1) fome (3) fontana (1) força (1) forças armadas (2) formação (3) fotografia (37) fr roger de taizé (2) fragilidade (4) frança (9) francisco I (50) francisco tropa (1) françoise dolto (2) fraqueza (1) fraternidade (4) frederico lourenço (1) freira (2) freud (2) frio (1) fronteira (2) ftm (1) fundacao evangelizacao culturas (3) funeral (1) futebol (16) futebol americano (1) futuro (2) galileu (1) galiza (1) ganancia (1) gandhi (1) gastronomia (2) gaudi (2) gaudium et spes (2) gay (109) gay lobby (3) gaydar (1) gayfriendly (2) género (20) generosidade (1) genes (1) genesis (2) genética (4) genital (1) geografia (1) gestos (1) gilbert baker (1) glossário (15) gnr (2) goethe (1) gomorra (2) gonorreia (1) gozo (2) gratuidade (3) gravura (1) grécia antiga (3) grit (1) grün (1) grupos (1) gula (1) gulbenkian (3) habitação (1) haiti (1) harvey milk (1) havai (1) heidegger (1) helbig (1) henri de lubac (1) herança (1) hermafrodita (2) hermafroditismo (2) herpes genital (1) heterofobia (1) heterosexuais (4) heterosexualidade (2) heterossexismo (2) hierarquia (30) hildegarda de binden (1) hinos (1) hipocrisia (1) história (37) Hitler (1) holanda (5) holocausto (2) homem (12) homenagem (2) homilia (6) homoafetividade (7) homoerotismo (13) homofobia (61) homoparentalidade (3) homossexualidade (142) honduras (1) hormonas (1) hospitalidade (4) HPV (1) HSH (3) humanidade (5) humildade (6) humor (9) hysen (2) icone gay (9) icones (3) idade (1) idade média (2) idealização (1) identidade (13) ideologia do género (2) idolatria (1) idolos (1) idosos (1) ignorância (2) igreja (131) igreja anglicana (5) igreja episcopal (2) igreja luterana (2) igreja presbiteriana (1) igualdade (8) II guerra mundial (7) ILGA (10) iluminismo (1) iluminuras (1) ilustração (1) imigração (1) imitação (1) impaciencia (1) imprensa (53) incarnação (1) incerteza (1) inclusão (3) incoerência (1) inconsciente (1) indemnização (1) india (2) individuo (1) infalibilidade (1) infancia (1) infância (1) infecção (1) infertilidade (1) infinito (1) informática (1) ingenuidade (1) inglaterra (3) iniciativas (1) inimigos (3) injustiça (1) inocentes (1) inquérito (1) inserção social (1) instrumentos musicais (1) integração (1) intercessão (1) intercultural (2) interior (4) internacional (3) internet (1) interpretação (1) interrogação (1) intersexualidade (4) intolerância (2) inutilidade (1) investigação (4) irão (1) irlanda (5) irreverencia (1) isaias (2) islandia (1) islão (12) israel (2) IST (3) italia (4) jacob (2) jacques berthier (1) james alison (4) jantar (1) japão (1) jardim (1) jeremias (1) jerusalem (1) jesuitas (2) jesus cristo (38) JMJ (7) João (7) joao climaco (1) joao paulo II (8) joão XXIII (2) job (1) jogos (2) jogos olimpicos (1) Jonatas (5) jorge sousa braga (1) jornadas (1) jornalismo (2) jovens (6) judaismo (9) judas (4) jung (2) justiça (21) juventude (5) kitsch (3) ladrão (1) lady Gaga (2) lagrimas (2) laicidade (2) lançamento (1) lazer (2) LD (1) lectio divina (1) lei (24) lei da blasfémia (1) leigos (3) leigos para o desenvolvimento (1) leiria (1) leituras (37) leonardo da vinci (1) lésbica (49) Levinas (1) levítico (2) lgbt (66) lgbti (17) liberdade (7) libertinagem (1) liderança (3) limpeza (1) linguagem (1) lisboa (80) literatura (3) lituania (1) liturgia (4) livrarias (2) livros (35) ljungberg (2) londres (1) Lopes-Graça (1) lourdes castro (4) loures (1) louvor (2) lua (1) lubrificante (1) lucas (4) lucian freud (1) luta (5) luto (3) luxemburgo (1) luz (1) m-f (1) M2F (1) machismo (2) macho (2) madeleine delbrel (1) madre teresa de calcuta (7) madureira (1) mães (6) mafra (1) magdala (2) magnificat (8) magrebe (1) mal (2) malasia (2) man (1) mandamentos (1) manifestação (1) manuel alegre (1) manuel clemente (2) manuel neuer (2) maori (1) mãos dadas (1) marcelo rebelo de sousa (1) marcha (5) marcos (1) Maria (13) maria de lourdes belchior (1) maria madalena (2) maria-rapaz (1) marinheiros (1) marrocos (2) martini (2) mártir (3) martírio (2) masculinidade (9) mastectomia (1) matéria (1) maternidade (1) mateus (6) matrimónio (1) mecenas (2) media (2) mediação (1) médicos (2) medio oriente (2) meditacao (7) medo (9) meia-idade (1) membro (1) memória (1) memorial (1) menino (2) menores (2) mensagem (1) menstruação (1) mentira (1) mercado (1) mesa (1) mestrado (1) metafora (1) metanoia (1) méxico (3) michael stipe (2) Michelangelo (2) Michele de Paolis (2) micronesia (1) miguel esteves cardoso (2) milão (1) mimesis (1) mineiros (2) minimalismo (1) ministerio publico (1) minorias (1) minorias étnicas (1) mira schendel (1) misericordia (3) misericórdia (1) misoginia (1) missa (7) missão (4) missionarias da caridade (1) missionário (3) mistério (2) mística (5) mitcham (2) mito (1) mitologia (2) mitos (1) moçambique (3) moda (5) modelos (8) modernidade (2) moina bulaj (1) moldavia (1) monge (2) monoparentalidade (1) montenegro (1) monumentos (1) morada (1) moral (6) moralismo (1) morte (25) mosteiro (1) movimento civico (1) movimento gay (1) MSV (1) MTF (1) mudança (1) mudança de sexo (5) mulheres (8) mundial (3) mundo (147) munique (1) musculos (1) museus (11) musica (1) música (86) musical (1) namoro (3) nan goldin (1) não crentes (1) não-violência (1) narciso (2) natação (1) natal (24) natividade (3) NATO (3) natureza (5) nauru (1) nazis (5) newman (1) nigeria (1) nobel (1) nómada (1) nome (4) nomeação (1) nós somos igreja (1) nossa senhora (1) nota imprensa (1) notícias (1) nova iorque (2) nova zelandia (2) novelas (1) novo testamento (5) nudez (18) núncio apostólico (1) NY (1) obediência (1) objectivos milénio (1) obra (14) obstáculos (1) oceania (1) ocupação (1) ódio (5) ofensa (1) olhar (2) olimpicos (2) omnissexualidade (1) ONU (13) opinião (145) oportunidades (3) optimismo (2) opus gay (2) oração (52) oração comum (2) orar (3) ordem de cister (1) ordem dos advogados (1) ordem dos médicos (6) ordenação de gays (2) ordenação de mulheres (4) orgão (3) orgia gay (1) orgulho gay (7) orientação (12) oriente (1) origem (2) orlando cruz (1) ortodoxia (2) ousar (1) ovideo (1) ovocitos (1) ovulo (1) paciencia (1) pacífico (3) pacifista (1) padraig o tuama (1) padre (21) padre antónio vieira (1) padres casados (1) padres do deserto (2) pai (3) pai-nosso (2) pais (6) pais de gales (2) paixão (11) palácios (1) palavra (7) palestina (1) palestra (1) paneleiro (1) pansexualidade (1) papas (31) papel da mulher (2) papiloma (1) paquistão (1) paradas (3) parágrafo 175 (2) paraíso (3) parcialidade (1) parentalidade (3) paris (7) parlamento (3) participação (2) partilha (8) pascal (3) páscoa (2) pasolini (2) pastoral homossexual (23) pastoral trans (1) pastoral universitária (2) paternidade (2) patinagem (3) patio dos gentios (2) patriarca (1) património (4) paul claudel (3) paulo (3) pausanias (1) paz (9) pecado (7) pederasta (1) pedir (1) pedofilia (9) pedra (1) pena (4) penitência (3) pensamentos (2) pensão (1) pentecostes (2) perdão (4) peregrino russo (1) perfeição (2) pergunta (1) periferias (2) perigo (1) perseguição (1) perseverança (1) pessimismo (2) pessoa (8) petição (1) piano (1) piedade (1) pina bausch (1) pink narcisus (1) pintura (14) piolho-da-pubis (1) pistas (1) pluralidade (1) pobreza (10) poesia (52) poitiers (1) polémica (3) poliamor (1) policia (3) polissexualidade (1) política (48) polo aquatico (1) polónia (1) POP art (1) população (1) pornografia (1) porto (8) porto rico (1) portugal (108) povo de Deus (3) prática (2) prazer (4) prece (3) preconceito (2) prémios (12) presença (1) presépios (4) preservativo (12) presidente (3) prevenção (1) pride (1) primavera (3) principes (1) prisão (1) procriacao (3) procura (2) professores (1) projecto (1) prostituição (3) prostituta (1) protagonista (1) provisório (1) próximo (5) psicanálise (1) psicologia (16) psicoterapia (1) psiquiatria (1) publicidade (2) pudor (1) qatar (4) quaintance (1) quakers (1) quaresma (14) queer (6) quenia (1) questionário (1) quotidiano (1) racial (1) racismo (3) radcliffe (2) rahner (1) rainhas (1) ranking (1) raul brandão (1) rauschenberg (1) razão (2) realidade (5) reciclar (5) recolha de alimentos (1) recolhimento (1) reconciliação (3) rede ex aequo (8) redes sociais (3) refeição (1) reflexão (49) reforma (3) refugiados (1) registo civil (2) reino de Deus (2) reino unido (13) reis (9) relação (15) relatórios (2) religião (15) religion today (1) religiosidade (3) religioso (2) REM (2) Renascimento (1) repetição (1) repouso (1) repressão (1) reproducao (2) república (1) republica checa (1) respeito (2) respiração (1) responsabilidade (2) ressurreição (1) retrato (3) reutilizar (5) rezar (2) Richard Zimler (1) ricky martin (4) ricos (1) rilke (4) rimbaud (1) riqueza (1) rival (1) rodin (1) roma (3) romance (1) romanos (1) romenia (1) rosa (6) rosto (1) rotina (1) roupa interior (1) rufus wainwright (5) rugby (4) rui chafes (1) rumos novos (4) russia (4) s. bento (7) s. valentim (1) sabedoria (2) sacramentos (2) sacro (1) sagrada família (3) sagrado (6) sahara ocidental (3) sair (2) sair do armario (17) salmos (5) salvação (5) Samuel (1) sanção (1) sangue (1) santa catarina (1) santa cecilia (1) santa sé (2) santa teresa de avila (2) santarem (4) santas (1) santegidio (1) santidade (7) santo agostinho (3) santos (16) sao francisco (5) sao joao (1) São José (1) sao juliao (1) sao tomas de aquino (1) sao tome e principe (1) sapatas (1) sapatos (1) saramago (1) sartre (1) saúde (23) Saul (1) seamus heaney (1) sebastião (9) séc XX (1) sedução (1) segurança (2) sem-abrigo (1) semana santa (4) semen (1) seminários (4) sensibilidade (1) sensibilização (1) sentença (1) sentidos (4) sentimentos (2) ser (2) ser humano (2) ser solidário (44) sermões (1) serralves (1) servia (2) serviço (7) setúbal (3) sexismo (2) sexo (8) sexo biológico (2) sexo seguro (2) sexualidade (22) sicilia (1) sida (19) sífilis (1) sightfirst (1) silêncio (9) símbolos (2) simone weil (2) simplicidade (3) singapura (1) singularidade (1) sínodo (5) sintomas (1) sintomático (1) sobrevivente (1) sociedade (85) sociologia (1) sodoma (2) sodomia (2) sofrimento (11) solicitude (1) solidão (9) solidariedade (3) sondagem (10) sonhos (2) Sophia (8) st patrick (1) stockhausen (1) stonewall (2) suécia (4) suicidio (5) surrealismo (1) susan sontag (1) taborda (1) tabu (2) taizé (6) talentos (1) tapeçaria (1) tavener (6) TDOR (1) teatro (14) teatro do ourives (1) tecnologia (3) tel aviv (1) televisão (2) templo (1) tempo (4) temps d'images (1) tenebrismo (1) tentação (1) teologia (38) teologia da libertação (2) teresa benedita da cruz (1) teresa forcades (1) terras sem sombra (1) terrorismo (1) teste (1) testemunhos (35) textos (1) the king's singers (1) Thibirine (2) thomas merton (1) tibães (1) timor (1) timoteo (1) tocar (1) tolentino (12) tolerância (5) tortura (1) trabalho (5) traição (1) transexualidade (21) transfobia (6) transformista (1) transgender (8) transgeneridade (1) transgéneros (3) travesti (3) travestismo (3) trevor hero (1) triângulo (5) tribunal (4) tricomoniase (1) Trindade (2) trinidad e tobago (1) troca (1) tu (1) turquia (3) ucrania (2) uganda (5) unção (1) UNESCO (1) união (15) único (1) unidade (6) unitaristas (1) universal (1) universidade (2) universo (1) utero (1) útil (1) vaidade (3) valores (2) vanitas (1) vaticano (41) vaticano II (12) velhice (3) veneza (3) vento (1) verdade (8) vergonha (1) via sacra (8) vício (1) vida (59) vida dupla (1) vidas consagradas (2) video (32) vigarice (1) vih/hiv (19) vingança (1) vintage (1) violação (4) violência (9) violência doméstica (1) VIP (1) virgindade (1) viril (2) virilidade (1) vírus (1) viseu (1) visibilidade (2) visitação (1) visitas (7) visões (1) vitimas (2) vitrais (1) viver junto (2) vocação (5) voluntariado (10) von balthasar (2) vontade (1) voyeur (1) warhol (1) whitman (1) wiley (1) wrestling (1) xenofobia (3) youtube (1) yves congar (1)

As nossas visitas