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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Moradas de Deus

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Ricky Cohete videoarte


Ver Midnight Swim, um vídeo onde sobressai a beleza do corpo masculino

Amar é uma necessidade

O que é o amor?

Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros». (Do Evangelho do 5.º Domingo do Tempo Pascal, Jo 13, 31-33a.34-35)
Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Mas pode-se mandar amar? Um amor imposto é uma caricatura, frustrante para quem ama, enganador para quem é amado.

Amar, na lógica do Evangelho, não é uma obrigação, mas uma necessidade para viver, como respirar: «Todos temos necessidade de muito amor para viver bem» (J. Maritain). É mandamento no sentido de fundamento do destino do mundo e da sorte de cada um: amai-vos uns aos outros, isto é, todos, de outra forma a razão será sempre do mais forte, do mais violento ou do mais astuto.

«Novo», declara Jesus. Em que consiste a novidade destas palavras se também na lei de Moisés já estavam reportadas: amarás o próximo como a ti mesmo? Ela emerge das palavras que se seguem. Jesus não diz, simplesmente, «amai-vos». Não basta amar, poderia ser apenas uma forma de possessão e de poder sobre o outro, um amor que tudo prende e nada dá. Há também amores violentos e desesperados. Amores muito tristes e até destrutivos.

O Evangelho acrescenta uma palavra particular: amai-vos uns aos outros. Numa relação de comunhão, num face a face, tu a tu. Na reciprocidade: amor dado e recebido; a felicidade desta vida pesa-se no dar e receber amor.

Não se ama a humanidade em geral; ama-se este homem, esta criança, este estramgeiro, este rosto. Imergindo-se na sua intimidade concreta. Amam-se as pessoas uma a uma, rosto a rosto. Ou doze a doze, como fez Francisco com os doze refugiados sírios de Lesbos.

Mas a novidade evangélica não se reduz somente a isso. Jesus acrescenta o segredo da diferença cristã: como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros.

O específico do cristão não é amar, isso fazem-no já muitos, de muitos modos, sob todos os céus. Mas amar como Jesus. Não quanto Ele, é impossível para nós viver a sua medida, mas como, com o estilo único de Jesus, com a revolução da ternura combativa, com as revoluções que operou. Livre e criativo, fez coisas que ninguém nunca fez: se Eu vos lavei os pés, assim fazei também vós, fazei-o a partir dos mais exaustos, dos mais pequenos, dos últimos. Jesus ama primeiro, ama em perda, ama sem contar. Veio como narrativa inédita da ternura do Pai.

Por tudo isto saberão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns pelos outros. «Não basta ser crente, devemos também ser credíveis» (Rosario Livatino). Deus não se demonstra, mostra-se.

Cada um deve fazer-se, como Ele, narrativa inédita do rosto de amor de Deus, canal não bloqueado, veia não obstruída, através da qual o amor, como água que fecunda, circule no corpo do mundo.

Ermes Ronchi in "Avvenire"
Tradução de Rui Jorge Martins para SNPC

Quando o catolicismo passa ao lado da verdade

Howe
As dez heresias do catolicismo actual

por Anselmo Borges para DN em junho e julho de 2016

"Heresia vem do grego háiresis, com o significado de parcialidade. Ora, pode acontecer que uma parcialidade se absolutize de tal modo que já não deixa espaço para elementos imprescindíveis da identidade cristã. É neste sentido que o jesuíta J.I. González Faus, um dos teólogos vivos mais sólidos e cristãos, escreveu um livro intenso com o título em epígrafe, para desmontar as dez heresias que inconscientemente foram tomando conta da teologia e da vida, arruinando a identidade cristã. Será o nosso guia também nas duas próximas semanas.

1. Primeira heresia: "Negação da verdadeira humanidade de Jesus." Como reconhecer em Jesus "uma psicologia humana como a nossa: sujeita ao erro e à ignorância ou à fraqueza, à angústia, ao medo ou à sensação de fracasso"? O problema está em que já se tem uma ideia prévia de Deus e estas características parecem incompatíveis com a dignidade divina. Mas qual é a consequência? Ao exigir que, em Jesus, Deus corresponda à imagem que temos dele, acabamos por impedir que Jesus revele efectivamente Deus. São Paulo, esse, percebeu, ao escrever que o Deus que anunciamos é "loucura para os sábios e escândalo para as pessoas religiosas". Afinal, a noção de dignidade divina deve ser concebida em consonância com a ideia humana ou a partir do exemplo de Jesus? "Eu, Senhor e Mestre, dei-vos o exemplo, lavando-vos os pés.".Jesus, de condição divina, escreve São Paulo, "apresentou-se como um entre outros", "sendo rico, fez-se pobre por nós, a fim de enriquecer-nos com a sua pobreza", mostrando que a verdade de Deus é o seu amor na autenticidade e fidelidade.

2. Vinculada à primeira, a segunda heresia: "Negação da eminente dignidade dos pobres na Igreja."De facto, a negação da verdadeira humanidade e humilhação do Messias leva a não preocupar-se com os humilhados, os pobres, atribulados, famintos, refugiados ou presos, embora seja com eles que Jesus em primeiro lugar se identificou. O Papa Francisco tem razão, voltando a uma Igreja pobre para os pobres.

O que lemos no capítulo 25 do Evangelho segundo São Mateus, referente ao Juízo Final? Todos são julgados pela maneira como reagiram diante do Deus presente no necessitado, no faminto, no nu, embora o não soubessem: "O que fizestes a um destes mais pequeninos foi a mim que o fizestes." Este passo do Evangelho é abissal, pois nele não temos um ensinamento em primeiro lugar ético mas teológico, um ensinamento sobre Deus, como ele se comporta e é: não é possível falar sobre Deus sem a sua relação com os seres humanos, a começar pelos mais desamparados. "É falso todo o Deus cuja glória não seja a vida do homem." Também está na Primeira Carta de São João: "Se alguém possui bens deste mundo e, vendo o seu irmão passar necessidade, não o socorre, não pode estar nele o amor de Deus."

3. Terceira heresia: "Falsificação da cruz de Cristo." "O que foi que condenou Jesus a uma morte tão atroz? Foi Pilatos? Foram os escribas e fariseus? Não, meus irmãos, não. Foi a Justiça divina que nunca quis dizer "basta" até que o viu expirar sob este suplício. O Salvador bondoso agonizava suspenso no ar por três cravos, derramava lágrimas de sangue, sangrava por todos os lados. Mas a Justiça divina, inexorável, dizia: "Ainda não." A sua doce mãe chorava ao pé da cruz, soluçavam as piedosas mulheres, gemiam todos os anjos e espíritos bem-aventurados diante de tão cruel espectáculo. Mas a Justiça, sem se deixar comover, repetia: "Ainda não." E não disse "já basta" enquanto o não viu exalar o último suspiro. O que dizeis então, meus irmãos? "Se a Justiça divina tratou tão severamente o Unigénito do Pai só porque havia tomado sobre si os nossos pecados, como nos tratará a nós que somos os verdadeiros pecadores?"

Muitos terão ouvido sermões semelhantes a este, de São Leonardo de Porto Maurício. Jesus tinha de morrer para pagar uma dívida infinita contraída com Deus pela humanidade e assim reconciliá-lo. Foi esta concepção que levou muitos ao abandono da fé. Aí está um Deus bárbaro, inexorável, que se não deixa comover, e uma teologia da satisfação expiatória que santifica a justiça próxima da vingança. O contrário do Deus que Jesus revelou como Abbá e Misericórdia, na parábola do filho pródigo. "O dolorismo heterodoxo que a Cruz produziu no nosso catolicismo vem, em boa parte, daqui: estamos a um passo de uma redenção "sadomasoquista", com a perversão de uma grande verdade: "Tudo o que vale custa" transformou-se num falso princípio: "Tudo o que custa vale." "A Cruz transformou-se assim em factor de resignação, quando na realidade é o resultado de Jesus não se ter resignado perante a injustiça estabelecida."A morte de Jesus é "uma consequência da sua vida e não uma exigência metafísica da justiça de Deus". Não morreu vítima de um Deus irado, que precisa de ser aplacado, mas vítima da maldade do mundo; morreu para ser consequente com a sua mensagem, dando testemunho até à morte do Deus que é Amor.

4. "Desfiguração da Ceia do Senhor." Imaginemos uma conversa entre um cristão piedoso de hoje e um cristão do século I. Aquele dirá que o centro da sua vida cristã é a "adoração eucarística" e este só lentamente entenderá que se está a referir à "fracção do pão" e também que a Missa quer dizer "a Ceia do Senhor". O que se passou?

Os primeiros cristãos celebravam a Eucaristia em casas particulares, com todos à volta da mesma mesa; ali, pela primeira vez na história, escravos e senhores sentaram-se uns ao lado dos outros. De acordo com o Novo Testamento, "nem sequer era o presbítero que presidia à celebração, embora pouco a pouco se tenha imposto que o presidente da Eucaristia fosse aquele que presidia à comunidade, talvez para aprender que devia exercer a autoridade não impositivamente, mas igualitariamente, e procurando o máximo de comunhão possível".

Quando os cristãos se tornaram multidão, foram necessários locais amplos, o latim deixou de ser entendido pelo povo, os assistentes já não participavam, com o celebrante de costas e à distância e as pessoas a fazerem "outra coisa" (rezar o terço...) enquanto "estão na Missa", atentos ao momento da "consagração" e, depois, alguns vão receber a hóstia. Tudo se centrou no culto da hóstia, "totalmente separado do gesto do partir, partilhar o pão". Da refeição passou-se a um acto de culto, com uma deturpação fundamental da Eucaristia: "Separar completamente a matéria (pão e vinho) do gesto (partilhá-los)", quando "partir o pão significa compartilhar a necessidade humana (da qual o pão é símbolo primário) e passar a taça é comunicar a alegria, da qual o vinho é outro símbolo humano ancestral". O corpo e o sangue são a pessoa e a vida de Jesus vivo.

5. "Transformar o cristianismo numa doutrina teórica." Heresia fundamental, que consiste em desfigurar a fé cristã, "transformada numa doutrina teórica ou numa religião centrada no culto, em vez de ser uma vida e um caminho crente para a transformação do mundo". À maneira dos gnósticos, põe-se o acento no conhecimento, que pode ser passivo, em vez de no amor, que é essencialmente activo: o decisivo do cristianismo não é dizer "Senhor, Senhor", mas "fazer a vontade do Pai", que consiste em que "todos tenham vida e vida em abundância". "A glória de Deus é a vida do homem", dizia Santo Ireneu.

O que então fica resume-se, infelizmente, em duas teses: a) "Deixadas à sua própria inércia, as sociedades estruturam-se de modo anticristão, não porque se estruturem de maneira laica ou reconheçam as uniões homossexuais, mas porque se estruturam na desigualdade, que é o valor mais contrário à paternidade do único Deus e o mais característico da divindade do Dinheiro"; b) "O Dinheiro é o único Deus verdadeiro das nossas sociedades que se consideram modernas, mas também o verdadeiro "senhor" de todos nós, que ameaça levar-nos à nossa própria destruição e à destruição do planeta." E "o nosso catolicismo foi cúmplice deste processo degenerador tão contrário à sua essência".

6. "Negação da absoluta incompatibilidade entre Deus e o Dinheiro." Afinal, a inscrição do dólar não é "In God we trust", mas "In Gold we trust", como parodiou E. Dussel. O problema dos imensamente ricos frente aos pobres que morrem a cada dia de fome aos milhares, mais do que um escândalo moral monstruoso, é a idolatria do deus Dinheiro, sendo essa a razão de se contar no número das heresias: "Uma visão teológica que pode desfigurar nada menos que a identidade do Deus bíblico. Deus é o Deus dos pobres, conhecê-lo não é especular muito nem sequer rezar muito, mas "praticar a justiça", como disse o profeta Jeremias."

Quando se olha para a linguagem oficial da Igreja, "dá a sensação de que toda a moral se reduz ao sexo e que é aqui que é preciso levantar a voz, ao passo que se deixa o dinheiro correr pecaminosamente sem o molestar". Ao contrário de Jesus, que foi parco no tema sexual, exigente na teoria e compreensivo com as pessoas concretas, mas duro quanto à riqueza opressora. "Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro." Significativamente, os Evangelhos, escritos em grego, mantiveram a palavra aramaica Mamôn (e além disso, sem artigo, como se fosse um nome próprio) para designar a riqueza: porque vem da mesma raiz (mn) do verbo crer, acreditar. "É uma maneira de dizer, mais uma vez, que God e Gold são muito aparentados: não se pode adorar ao mesmo tempo Deus e o Dinheiro." Quando se pensa na força crescente do Dinheiro, cada vez com mais possibilidades, pois já não se trata de meros poderes pessoais, mas estruturais e anónimos, é preciso rever a sociologia da religião: afinal, ela está em aumento, o que diminui é a fé no Deus de Jesus, o Deus que criou o mundo para todos e não apenas para os ricos. "O deus dos senhores é diferente." (J.M. Arguedas).

7. "Apresentar a Igreja como objecto de fé". Que se entende por Igreja? É decisivo responder adequadamente a esta pergunta, para afastar o perigo em que caiu o Papa Pio IX, que se negava a renunciar aos Estados Pontifícios, alegando que "aqueles territórios não eram seus, mas de Cristo". A Igreja não é Deus, é comunidade de comunidades formadas por homens e mulheres que acreditam em Jesus e no Deus que Jesus revelou. Homens e mulheres que acreditam no Deus de Jesus formam a Igreja e é em Igreja que acreditam em Deus. Temos, pois, um erro quando "a Igreja se apresenta como objecto de fé, equiparando-se ao Deus trino e esquecendo que só em Deus, e em mais ninguém, é possível crer, no sentido pleno da palavra". Percebe-se também que a autoridade na Igreja só como serviço se pode compreender.

8. "A divinização do Papa". "Confessamos que o Papa romano tem poder para mudar a Escritura e aumentá-la ou diminuí-la de acordo com a sua vontade. Confessamos que o santíssimo Papa deve ser honrado por todos com a honra devida a Deus e com a genuflexão maior devida a Cristo." Estas "palavras incríveis" provêm da profissão de fé que os jesuítas propunham aos protestantes húngaros para passarem à Igreja Católica nos finais do século XVII. O Papa Bento XVI, quando era professor, denunciou esta profissão como "monstruosa", reconhecendo depois que o magistério nunca a condenou.

As citações nesta linha são quase infindáveis. Atribuíram-se ao Papa títulos como "Vice-Deus da humanidade", "o Verbo encarnado que se prolonga". Num livro de meditações atribuído a São João Bosco, lê-se: "O Papa é Deus na Terra. Jesus colocou o Papa no mesmo nível de Deus." Chama-se a isto culto da personalidade e idolatria. Leia-se o "incrível" texto chamado Dictatus Papae, do Papa Gregório VII, século XI: "A Igreja romana foi fundada só por Jesus Cristo. Por isso, só o Romano Pontífice é digno de ser chamado universal. Só ele é digno de usar insígnias imperiais; ele é o único homem cujos pés todos os príncipes beijam. Não existe texto jurídico algum fora da sua autoridade; a sua sentença não pode ser reformada por ninguém e ele pode reformar as de todos. Ele não pode ser julgado por ninguém. A Igreja romana nunca se equivocou e nunca poderá equivocar-se. O Romano Pontífice canonicamente ordenado é sem dúvida santo pelos méritos de São Pedro." Na famosa bula Unam sanctam, o Papa Bonifácio VIII define que "submeter-se ao Romano Pontífice é necessário para a salvação de todos os homens". O Papa Gregório XVI opôs-se à tradição que fala de uma "Igreja com necessidade constante de reforma", acusando-a de "absurda e injuriosa", porque não se pode "nem sequer pensar que a Igreja esteja sujeita a defeito ou ignorância ou a quaisquer outras imperfeições".

A Igreja acabou por ser confundida com o Papa, como consta no programa do grupo La Sapinière, que o Papa São Pio X apoiou tacitamente: "Pode-se dizer que o Papa e a Igreja são uma só coisa." E, embora a palavra hierarquia (poder sagrado) nunca apareça no Novo Testamento, e, na linguagem eclesiástica, só no século V, de facto o cristianismo foi sendo reduzido a um eclesiocentrismo e este a um hierarcocentrismo: "A Igreja reduzida ao poder sagrado e o resto dos fiéis é apenas objecto deste poder, cuja única missão é "aceitar ser governado e obedecer" (e pagar), como disse o Papa Pio X. E, por fim, este hierarcocentrismo é reduzido à figura do Papa, separado do colégio episcopal pela forma como a cúria romana costuma governar."

E aí está como o Papa, cuja missão é de unidade, foi fonte de ruptura: lembrar o cisma do Oriente (1054) e a Reforma protestante (1517), e como se percebe o fascínio do Papa Francisco, porque é um papa cristão.

9. "Clericalismo". Tudo se concentra nesta pergunta: Deus pode ser concebido como Poder, quando Jesus o revelou como "Amor que capacita para amar"?

No Novo Testamento, "a comunidade toda de crentes é "clerical", porque foi chamada a compartilhar a herança (klêros) dos santos na luz", como se lê na Carta aos Colossenses. "Não existem, portanto, clero e laicado, mas uma comunidade, um povo afortunado que, como qualquer grupo humano, precisará de diversos serviços": ensino, direcção, coordenação. E "os responsáveis das Igrejas são chamados presbíteros, supervisores, servidores, "os que trabalham por vós"..., mas nunca sacerdotes." Só mais tarde os ministérios eclesiais se revestiram de dignidade mundana, passando-se então do "povo afortunado" para "os afortunados do povo". E aí está o clericalismo para dentro e para fora da Igreja.

10. "Esquecimento do Espírito Santo". A raiz de todas estas heresias: o esquecimento do Espírito do Deus de Jesus, Espírito criador, que une na diferença e renova todas as coisas.

Ler na íntegra em: 

A misericórdia de Deus é incondicional

O Pai misericordioso

"O papa meditou hoje sobre a parábola bíblica do Pai misericordioso (Lucas 15, 11-32), também conhecida pela parábola do filho pródigo, tendo lembrado as pessoas que «fizeram escolhas erradas e não conseguem olhar para o futuro», bem como «aqueles que têm fome de misericórdia e de perdão e acreditam que não a merecem».

Na intervenção que proferiu durante a audiência geral, realizada na Praça de S. Pedro, no Vaticano, Francisco sublinhou que a parábola permite «conhecer a misericórdia infinita de Deus». Excertos da catequese:

«Comecemos pelo fim, isto é, da alegria do coração do Pai, que diz: “Façamos festa, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado”. Com estas palavras o pai interrompeu o filho menor no momento em que confessava a sua culpa: “Já não sou digno de ser chamado teu filho”.

Esta expressão é insuportável para o coração do pai, que, antes, se apressa a restituir ao filho os sinais da sua dignidade: a bela roupa, o anel, o calçado. Jesus não descreve um pai ofendido e ressentido, que lhe diz ‘vais pagar-mas’ (…); ao contrário, a única coisa que o pai tem no coração é que este filho está diante de si são e salvo.

O acolhimento do filho que regressa é descrito de modo comovente: “Quando ainda estava longe, o seu pai viu-o, teve compaixão, correu ao seu encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e beijou-o”. Viu-o ao longe, significa que o esperava continuamente, do alto. Esperava-o, é uma coisa bela a ternura do pai.

A misericórdia do pai é extravasante, incondicional, e manifesta-se ainda antes que o filho fale. Certo, o filho sabe que errou e reconhece-o: “Pequei… trata-me como um dos teus assalariados”. Mas estas palavras dissolvem-se perante o perdão do pai. O abraço e o beijo do seu papá fazem-lhe compreender que foi sempre considerado filho, apesar de tudo, mas é sempre o seu filho.

É importante este ensinamento de Jesus: a nossa condição de filhos de Deus é fruto do amor do coração do Pai; não depende dos nossos méritos ou das nossas ações, e por isso ninguém a pode tirar. Ninguém pode tirar esta dignidade, nem sequer o diabo.

Esta palavra de Jesus encoraja-nos a nunca desesperar. Penso nas mães e nos pais apreensivos quando veem os filhos afastar-se em caminhos perigosos. Penso nos párocos e catequistas que por vezes se perguntam se o seu trabalho foi em vão. Mas penso também em quem se encontra na prisão, parecendo-lhe que a sua vida acabou; a quantos fizeram escolhas erradas e não conseguem olhar para o futuro; a todos aqueles que têm fome de misericórdia e de perdão e acreditam que não a merecem.

Em qualquer situação da vida, não devo esquecer que nunca deixarei de ser filho de Deus, de um Pai que me ama e espera o meu regresso. Mesmo nas situações mais duras da vida, Deus espera-me, quer abraçar-me.

Na parábola há um outro filho, o maior; também ele precisa de descobrir a misericórdia do pai. Ele ficou sempre em casa, mas é muito diferente do pai. As suas palavras não conhecem a ternura: “Eu sirvo-te há tantos anos e nunca desobedeci a uma ordem tua… mas agora que voltou este teu filho…”. Fala com desprezo. Nunca diz “pai”, “irmão”. Vangloria-se de ter ficado sempre junto ao pai e de o ter servido; todavia nunca viveu com alegria esta proximidade. E agora acusa o pai de nunca lhe ter dado um cabrito para festejar. Pobre pai! Um filho tinha ido embora e o outro nunca lhe foi verdadeiramente próximo. O sofrimento do pai é como o sofrimento de Deus e de Jesus, quando nos afastamos ou quando pensamos que somos próximos e, em vez disso, não o somos.

O filho maior tem também necessidade de misericórdia. Este filho representa-nos quando perguntamos se vale a pena cansarmo-nos tanto se depois nada recebemos em troca. Jesus recorda-nos que na casa do Pai não se permanece para ter uma compensação, mas porque se tem a dignidade dos filhos corresponsáveis. Não se trata de uma permuta com Deus, mas de estar no seguimento de Jesus, que se deu a si próprio, sem medida, na cruz.

“Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu, mas tínhamos de fazer festa e alegrar-nos”. Assim diz o pai ao filho maior. A sua lógica é da misericórdia. O filho menor pensava que merecia um castigo por causa dos próprios pecados, o filho maior esperava uma recompensa pelos seus serviços. Os dois irmãos não falam entre eles, vivem histórias diferentes, mas ambos pensam segundo uma lógica estranha a Jesus: se fazes bem, recebes um prémio, se fazes mal, és castigado.

Esta lógica é subvertida pelas palavras do pai: “Tínhamos de fazer festa e alegrar-nos porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado”. O filho recuperou o filho perdido, e agora pode igualmente restituí-lo ao seu irmão. Sem o menor, também o filho maior deixa de ser um “irmão”. A maior alegria para o pai é ver que os seus filhos se reconhecem irmãos.

Os filhos podem decidir unir-se à alegria do pai ou recusar. Devem interrogar-se sobre os próprios desejos e sobre a visão que têm da vida. A parábola termina deixando o final suspenso: não sabemos o que o filho maior decidiu. E isto é um estímulo para nós. Este Evangelho ensina-nos que todos temos necessidade de entrar na casa do Pai e participar na sua alegria, na festa da misericórdia e da fraternidade. Irmãos e irmãs, abramos o nosso coração, para sermos misericordiosos como o Pai.»

Tradução e edição de Rui Jorge Martins para SNPC a 11 de maio de 2016

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Misericórdia: um escândalo

A loucura e o escândalo da misericórdia

«A misericórdia é qualquer coisa de escandaloso, louco, até, para a lógica humana. Não raro, no decorrer da história e dentro da Igreja, foi interpretada exatamente ao contrário de como Jesus a colocou em prática com a mulher adúltera, que escribas e fariseus queriam apedrejar.»

Enzo Bianchi fala com a verve do homem apaixonado. Cita os Evangelhos, a festa hebraica do Yom Kippur, o profeta Oseias e o místico russo Silvano do Monte Athos. No Salão do Livro de Turim dialogou com o psicanalista Massimo Recalcati, partindo do seu último livro, “L’amore scandaloso di Dio”, o amor escandaloso de Deus (editora San Paolo, 144 págs.).

O prior da Comunidade de Bose sublinha o sentido paradoxal da misericórdia: «Não é o arrependimento que cria o perdão, mas o perdão que nos é dado é que provoca o arrependimento». Isto é possível graças à «força assimétrica», como a define Recalcati, do perdão: «Não perdoo o outro porque se arrepende mas perdoo-o porque este gesto abre o cenário inédito do arrependimento e permite àquele homem recomeçar».

«Na minha experiência de psicanalista sei bem que se há uma experiência humana que mais se assemelha à ressurreição, é a experiência de ser perdoado. Porque permite a quem é perdoado continuar a viver, oferece-lhe uma outra oportunidade, marca um novo início», declara Recalcati.

Enzo Bianchi recorda a sua história de vida: «O tema do perdão não me é dado nem da infância nem da educação católica. Até aos 30 anos era rigorista, os meus modelos eram Joana d’Arc e Thomas Beckett». Depois aconteceu o encontro com o texto bíblico e com aquela afirmação que o profeta Oseias coloca na boca de Deus: «Quero misericórdia, e não sacrifícios, o conhecimento de Deus mais do que holocaustos».

O monge explica o sentido da dupla afirmação: «Sacrifícios e holocaustos, concetualmente, estão juntos, e isso percebemo-lo; mais difícil de perceber, porque radicalmente novo, é juntar misericórdia e conhecimento de Deus. Significa que só podemos conhecer Deus numa experiência passiva de misericórdia, de amor e de reconciliação; de outro modo torna-se um ídolo que fabricamos sob medida, o produto das nossas projeções. O inferno, para o homem, para cada um de nós, é não ser perdoado por ninguém».

O religioso comenta a parábola do pai misericordioso, ou do filho pródigo, do Evangelho segundo S. Lucas: «Ao início, quando regressa a casa, o filho pródigo não o faz por estar arrependido mas porque estava mal e não tinha o que comer, tanto que diz ao pai, perentoriamente, como uma ordem: “Trata-se como um dos teus assalariados”. O pai não procura explicações, dá-lhe desde logo a veste mais bela, o anel no dedo e prepara o vitelo gordo para fazer festa. O perdão do pai precede o arrependimento do filho pródigo. Eis o escândalo».

O último tópico do diálogo é sobre o sacrifício. Diz Bianchi: «O sacrifício é comum a todas as religiões e não raro gera violência. Se o sacrifício é mortificação, não tem nada a ver com a vida cristã. Se, pelo contrário, é renunciar a algo pelo outro, então todos os dias fazemos sacrifícios».

Conclui o psicanalista Massimo Recalcati: «O sacrifício torna-se patológico quando gera uma satisfação no sujeito e se torna critério de superioridade moral em relação aos outros. Este é um risco sempre presente na psicologia do homem religioso».

Antonio Sanfrancesco in "Famiglia Cristiana"
Redação de Rui Jorge Martins para SNPC

Diaconisas na Igreja

Diaconisa Febe / D.R.
Diaconado feminino na história

«Se se quer valorizar a figura da mulher na Igreja católica e dar-lhe um papel mais central, como aconteceu noutras confissões cristãs, a via do diaconado pode representar um caminho que se pode percorrer tranquilamente porque se trata de uma instituição que se prolonga até ao século XI. Exemplos dos quais voltar a partir? Certamente os testemunhos que nos chegam da Igreja dos primeiros séculos.»

É o primeiro comentário que chega de Emanuela Prinzivalli, docente de História do Cristianismo na universidade “La Sapienza”, de Roma, à luz do anúncio feito pelo papa Francisco de querer pensar em instituir uma comissão de estudo sobre o diaconado feminino na Igreja primitiva.

A professora elenca os «casos mais antigos» de diaconado a que foram chamados as mulheres, confirmados também por vários passos do Novo Testamento, colocando sobretudo em evidência a diferença entre a Igreja das origens, «sobretudo nos três primeiros séculos», e a atual. «Muito provavelmente o título de diácono da Igreja antiga pensado para as mulheres» - argumenta a investigadora - «corresponde a um serviço dado pela comunidade que nós não sabemos bem definir em relação à sua evolução».

A historiadora recorda algumas fontes que manifestam uma clara referência à figura da mulher destinada a revestir o ministério. «Vem-me à ideia o passo da Carta aos Romanos [16,1-2] em que S. Paulo fala de uma mulher, Febe, a “diáconos”, da comunidade de Cêncreas, por ele descrita como “protetora”».

Mas há mais: «Outro caso em que é mais evidente um aceno ao “diaconado feminino” encontra-se no capítulo terceiro da Primeira Carta a Timóteo. Nesse passo fala-se e indicam-se mulheres – no interior de uma hierarquia da Igreja que já estava estruturada verticalmente – chamadas a aproximarem-se das mesmas virtudes praticadas pelos diáconos homens, e portanto ao mesmo papel. Trata-se de figuras descritas como “dignas, não maldizentes, sóbrias, fiéis em tudo”. São, em resumo, mulheres chamadas a revestir as mesmas virtudes cristãs prescritas aos diáconos».

A professora refere depois outro precedente que poderia ser examinado pela possível comissão sobre o diaconado feminino pensada por Francisco. «Um testemunho sobre o papel ativo das mulheres no interior da Igreja chega-nos de Plínio, “o Jovem”, então governador da Bitínia nos inícios do século II, em que ele se refere à tortura de duas escravas definidas como “ministrae”. Esta declinação no feminino em latim ajuda-nos a perceber que estas mulheres tinham um papel relevante e não marginal na Igreja de Bitínia».

Ainda outro caso: «Os casos evidentes de “mulheres diácono” manifestam-se claramente no fim do século IV – pense-se na Igreja de Constantinopla -, como Olímpia, amiga de João Crisóstomo, que é ordenada com a imposição das mãos dele. Eram dedicadas à liturgia e ao cuidado pastoral da parte feminina da Igreja daquele tempo».

«Outro exemplo? Chega-nos da “Didascalia apostolorum”, na Síria do século III: nesse texto, de género canónico [legislativo], afirma-se que as mulheres não podem ser padres mas há a afirmação precisa de “mulheres diácono” onde até a diaconisa é imagem do Espírito Santo. Os espaços do diaconado feminino de então, especialmente na Igreja do Ocidente, restringem-se progressivamente. Mas os casos de estudo de onde partir são inúmeros», conclui a historiadora de cristianismo.

Filippo Rizzi in "Avvenire", 14.5.2016
Tradução de Rui Jorge Martins para SNPC

#cockinasock um atlas de imagens

Esta é uma partilha de imagens relativas à campanha divulgada na mensagem anterior, e que dá conta da diversidade de participantes...

Cock in a Sock

Calçar o pénis por uma causa

Este Natal não é só na chaminé que se põem as meias. Depois de baldes de gelo e de tantas outras campanhas difundidas pelas redes sociais, chegou-nos a notícia de uma em que homens se fotografam despidos e com os seus pénis enfiados numa meia. Aparentemente serve a acção para alertar o grande público para o cancro no testículo e para angariar fundos. O método é simples: fotografar-se com uma meia a cobrir a nudez frontal e colocar nas redes sociais com o #cockinasock.

Foi através da publicação de BuzzFeed, Inc que o moradasdedeus tomou conhecimento da iniciativa.

Frescos restaurados revelam mulheres sacerdotisas

Gregorio Borgia / AP
Frescos e sacerdócio no feminino

Partilho uma notícia em inglês, publicada a 20 de novembro de 2013 pelo The Guardian, e que nos fala da descoberta da representação de sacerdotisas cristãs no restauro dos frescos na catacumba de Priscilla

Vatican unveils restored catacomb with frescoes showing 'female priests'

The Vatican has unveiled newly restored frescoes in the catacombs of Priscilla, known for housing the earliest known image of the Madonna and child, and frescoes said by some to show women priests in the early Christian church.

Cardinal Gianfranco Ravasi, the Vatican's culture minister, presided over the opening of the "cubicle of Lazzaro", a tiny burial chamber featuring fourth-century images of Biblical scenes, the apostles Peter and Paul, and one of the early Romans buried there in stacks, as was common in the age of antiquity.

The labyrinthine cemetery complex stretching for miles under northern Rome is known as the queen of the catacombs because it features burial chambers of popes and a tiny, delicate fresco of the Madonna nursing Jesus dating from around AD230-240., the earliest known image of the Madonna and child

More controversially, the catacombs feature two scenes said by proponents of the women's ordination movement to show female priests: one in the ochre Greek chapel features a group of women celebrating a banquet, said to be the banquet of the eucharist. Another fresco in a richly decorated burial chamber features a woman, dressed in a dalmatic – a cassock-like robe – with her hands up in the position used by priests for public worship.

The Association of Roman Catholic Women Priests, which includes women who have been excommunicated by the Vatican for participating in purported ordination ceremonies, holds the images up as evidence that there were female priests in the early Christian church.

But Fabrizio Bisconti, the superintendent of the Vatican's sacred archaeology commission, said such a reading of the frescoes was pure "fable, a legend".

Even though the catacombs' official guide says there is "a clear reference to the banquet of the holy eucharist" in the fresco, Bisconti said the scene of the banquet wasn't a eucharistic banquet but a funeral banquet. He said that even though women were present, they weren't celebrating mass.

Bisconti said the other fresco of the woman with her hands up in prayer was just that – a woman praying. "These are readings of the past that are a bit sensationalistic but aren't trustworthy," he said.

Asked about the scenes, Ravasi professed ignorance and referred comment to Bisconti. The Vatican has restricted the priesthood for men, arguing that Jesus chose only men as his apostles.

The Priscilla catacombs are being featured in a novel blending of antiquity and modern technology. For the first time, Google Maps has gone into the Roman catacombs, providing a virtual tour of the Priscilla complex.

O presépio

Viver o Natal a partir do presépio

"Quando se fala de esperança, muitas vezes referimo-nos ao que não está no poder do homem e que não é visível. Com efeito, o que esperamos vai para além das nossas forças e do nosso olhar. Mas o Natal de Cristo, inaugurando a redenção, fala-nos de uma esperança diferente, uma esperança confiável, visível e compreensível, porque fundada em Deus. Ele entra no mundo e dá-nos a força de caminhar com Ele, Deus caminha connosco em Jesus, para a plenitude da vida; estar de maneira nova no presente, ainda que difícil. Então, esperar, para o cristão, significa a certeza de estar a caminho com Cristo para o Pai que nos espera. A esperança nunca está parada, está sempre em caminho e faz-nos caminhar.

Esta esperança, que o Menino de Belém nos dá, oferece uma meta, um destino bom ao presente, a salvação da humanidade, a bem-aventurança a quem se confia a Deus misericordioso. S. Paulo resume tudo isto com a expressão: «Na esperança fomos salvos». Isto é, caminhando desta forma, com esperança, estamos salvos, aqui podemos perguntar-nos se caminhamos com esperança ou estamos fechados, ou abertos, à esperança que ma faz caminhão, não só com Jesus. E uma bela pergunta a colocar-se.

Nas casas dos cristãos, durante o tempo do Advento, é preparado o presépio, segundo a tradição que remonta a S. Francisco de Assis. Na sua simplicidade, o presépio transmite esperança; cada personagem está imerso nesta atmosfera de esperança.

Antes de tudo notamos o lugar em que nasce Jesus: Belém. Pequeno burgo da Judeia onde mil anos antes tinha nascido David, o pastorinho eleito por Deus como rei de Israel. Belém não é uma capital, e por isso é preferida pela Providência divina, que gosta de agir através dos pequenos e dos humildes. Naquele lugar nasce o «filho de David» tão esperado, Jesus, no qual a esperança de Deus e a esperança do homem se encontram.

Depois olhamos Maria, Mãe da esperança. Com o seu “sim” abriu a Deus a porta do nosso mundo: o seu coração de jovem estava repleto de esperança, toda animada pela fé; e assim Deus escolheu-a e ela acreditou na sua palavra. Aquela que por nove meses foi a arca da nova e eterna Aliança, na gruta contempla o Menino e vê nele o amor de Deus, que vem para salvar o seu povo e toda a humanidade.

Junto a Maria está José, descendente de Jessé e de David; também ele acreditou na palavra do anjo, e olhando para Jesus na manjedoura medita que aquele Menino vem do espírito Santo, e que o próprio Deus lhe ordenou que o chamasse assim, “Jesus”. Nesse nome está a esperança para cada homem, porque mediante aquele filho de mulher Deus salvará a humanidade da morte e do pecado. Por isso é importante ver o presépio.

E no presépio estão os pastores, que representam os humildes e os pobres que esperavam o Messias, o «conforto de Israel» e a «redenção de Jerusalém». Naquele Menino veem a realização das promessas e esperam que a salvação de Deus chegue finalmente para cada um deles. Quem confia nas próprias, sobretudo materiais, não espera a salvação de Deus. As seguranças próprias não nos salvarão, a única segurança que nos salva é a esperança em Deus, ela que nos faz caminhar para o bem, com alegria e com alegria de se tornar feliz por toda a eternidade. Os pequenos, ao invés, confiam em Deus, esperam nele e rejubilam quando reconhecem naquele Menino o sinal indicado pelos anjos.

E precisamente o coro dos anjos anuncia do alto o grande desígnio que aquele Menino realiza: «Glória a Deus no mais alto dos céus e sobre a terra paz aos homens, que Ele ama». A esperança cristã exprime-se no louvor e no agradecimento a Deus, que inaugurou o seu Reino de amor, de justiça e de paz.

Nestes dias, contemplando o presépio, preparamo-nos para o Natal do Senhor. Será verdadeiramente uma festa se acolhermos Jesus, semente de esperança que Deus depõe nos sulcos da nossa história pessoal e comunitária. Cada “sim” a Jesus que vem é uma semente de esperança; tenhamos confiança neste gérmen de esperança, neste “sim” que nos quer salvar. Bom Natal de esperança a todos!"

Papa Francisco na Audiência geral, Vaticano a 21 de dezembro de 2016
Tradução de Rui Martins para SNPC

As origens do Natal

Natal na sua origem

"Durante séculos os primeiros cristãos festejaram como festa das festas a Páscoa da ressurreição de Jesus o primeiro dia da semana judaica, para eles tornado “dia do Senhor”, e não sabemos se em algumas comunidades do Mediterrâneo se recordava o nascimento de Jesus com uma festa particular.

No século IV, após o edito de Constantino e a liberdade de culto concedida aos crentes em Cristo, ocorre a cristianização de uma festa pagã introduzida pouco antes pelo imperador Aureliano (c. 270) e celebrada em Roma como festa do “Sol invictus”, do “Sol vencedor”, que nesse dia começa a alongar o seu tempo de luz sobre a Terra.

Para os cristãos, Jesus o Senhor era «o Sol de Justiça» cantado por Malaquias, era «a Luz do Mundo» proclamada pelo Evangelho. Eis então que no ocidente o renascimento do “Sol invictus” pagão foi cristianizado mediante a festa do Natal, da Natividade de Jesus Cristo. Paralelamente, no oriente (Egito e Síria), onde o solstício de inverno se assinalava a 6 de janeiro, assume-se essa data para celebrar a Epifania como festa da manifestação da vinda do Filho de Deus à nossa humanidade.

Esta é a origem da nossa festa, que desde sempre teve no seu centro o Evangelho do nascimento de Jesus segundo Lucas (2, 1-14). Na missa da noite, celebrada no coração das trevas, refulge uma grande luz: Jesus, dado à luz por Maria em Belém.

Esta narrativa não é uma fábula, ainda que pareça escrita para as crianças, que significativamente a recordam para toda a vida, mas é uma página do Evangelho, uma noa notícia. Por isso Lucas quer antes de mais situar esse acontecimento na grande história do Mediterrâneo, marcada pelo domínio do Império Romano.

César Augusto decide contar os habitantes de todas as terras conquistadas por Roma: para tal ordena um recenseamento, executado na terra de Israel por Quirínio, governador da Síria. José obedece a esta ordem e, juntamente com a mulher, Maria, deixa a sua cidade de Nazaré para se dirigir a Belém, na Judeia, no sul da Terra Santa, onde tinha tido origem a casa e a descendência de David, o Messias, o ungido do Senhor, o rei de Israel.

Enquanto este casal se encontra em Belém, numa condição precária e de pobreza, não tendo encontrado lugar na estalagem, numa pequena construção, somente um abrigo no campo, Maria, que está grávida, dá à luz o seu filho primogénito, a ela anunciado por revelação como gerado pelo Espírito de Deus, um Filho que só Deus podia dar a toda a humanidade.

Aqui já está uma forte contraposição, que caraterizará toda a vida deste recém-nascido. Quem domina o mundo é Augusto – chamado “Divus”, “Deus”; “Sotér”, “Salvador”; “Kýrios”, “Senhor” –, mas o verdadeiro Salvador e Senhor é um seu súbdito, um bebé nascido numa situação pobre, para o qual desde logo parece não haver lugar neste mundo.

Conhecemos todos bem o ícone da Natividade: uma cabana ou uma gruta, e Maria que deita o seu filho numa manjedoura, com José ao lado, testemunha e guardador daquele mistério no qual é envolvido e ao qual presta pontualmente obediência. Tudo acontece na noite, no silêncio, na condição humaníssima de uma mãe que dá à luz um filho. Ninguém conhece aquele casal, ninguém o acolhe, ninguém se dá conta de nada.

Mas eis que Deus envia um seu mensageiro aos pastores que se encontram nas colinas que circundam Belém, para levantar o véu sobre aquele acontecimento: «Um anjo do Senhor apresentou-se a eles e a Glória do Senhor envolveu-os em luz». Os pastores são gente desprezada, marginalizada, que nem sequer são considerados dignos de ir ao templo para encontrar o Senhor. Mas é precisamente a estes últimos da sociedade da Judeia que é dirigido o anúncio, a boa notícia por excelência, que é alegria para todo o Israel, para todo o povo de Deus. Pela sua condição de pobres e últimos, os pastores são os primeiros destinatários por direito desta boa notícia:

«Hoje, na cidade de David, do Messias, nasceu para vós um Salvador, que é o Messias, Senhor».

Neste anúncio colhemos como que uma antecipação da boa notícia pascal: Jesus é o “Kýrios”, o Salvador. Não Augusto, que se vangloriava desse título, mas um menino recém-nascido recebe esse mesmo título da parte de Deus. Assim acontece a revelação aos pequenos, aos últimos, da qual são excluídos quantos acreditavam ser destinatários de direito: sacerdotes, peritos da Lei, crentes militantes convencidos de serem só eles os verdadeiros filhos de Abraão.

Aos pastores é dado também um sinal, uma indicação para que possam ver e compreender: nada de extraordinário ou de divino mas, de novo, uma realidade humaníssimas: «Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas, deitado numa manjedoura». Realidade simples e humilde, sem ornamentos, sem “extraordinário”.

E todavia este anúncio é dado por um coro incontável de criaturas invisíveis, numa espécie de liturgia cósmica, essa liturgia do céu que não conseguimos ver nem escutar mas que enche o universo e canta a santidade e a glória de Deus, isto é, proclama quem e como Deus ama. Com efeito, o que nesse canto coral é revelado é a vontade de Deus: «Deus tem peso (“kabod”, glória), Deus age no mundo mesmo sendo Santo e está no mais alto dos céus, Deus dá a paz à humanidade que Ele ama».

Eis a boa notícia do Natal: Deus ama-nos de tal modo que quis ser um de nós, entre nós, igual a nós, um homem como nós."

Enzo Bianchi in Monastero di Bose
Tradução de Rui Jorge Martins para SNPC

Cristãos LGBT na ONU

O Lugar dos LGBT no coração de Deus: Discurso na ONU

O fascínio de um olho vem da luz que o envolve

Os olhos de Maria

«O olho torna-se puro quando é envolvido pela luz do Sol e recebe força do seu vigor e clareza do seu esplendor. Em Maria habitou a luz divina como num olho, purificou-lhe o espírito, refinou-lhe o pensamento, santificou-lhe a mente e transfigurou-lhe a virgindade. O fascínio de um olho, os reflexos misteriosos da sua pupila, o pestanejar secreto do seu olhar, a intensidade das suas cores, tudo é devido à luz que nos envolve.»

É deste órgão tão delicado e precioso que parte Santo Efrém, um dos maiores poetas síriacos (um historiador antigo informa-nos que teria composto nada menos que três milhões de versos!), que viveu no séc. IV, para entretecer um dos seus hinos marianos.

Ao olho imenso e irradiado de luz ele compara Maria, a imaculada Mãe do Senhor, atravessada, impregnada, transfigurada pela luz divina, precisamente porque nela está presente o Filho de Deus.

Na “Vida nova”, de Dante, o parágrafo de um soneto abre-se assim: «Nos olhos traz o Amor a minha dama». Certamente que o poeta pensava no amor humano, mas aquela maiúscula permite-nos imaginar livremente os olhos de Maria como brilhantes do Amor divino. Eles são uma epifania da luz e do amor, as duas célebres definições joaninas de Deus.

Na solenidade mariana que se celebra a 8 de dezembro, a Imaculada Conceição, o grande cantor da Síria convida-nos a descobrir a beleza dos olhos de toda a criatura, mas sobretudo daquela criatura única que foi a Mãe de Cristo.

P. (Card.) Gianfranco Ravasi in "Avvenire"
Publicado pelo SNPC a 7 de dezembro de 2017

domingo, 10 de dezembro de 2017

Natal em busca do que incomoda

O ínfimo que alcança a suprema importância

"Em minha casa, o período natalício inaugura-se com uma ida ao campo, onde a família apanha musgos e ramos de variada vegetação para com eles montar e ornamentar o presépio. Se ainda é fácil encontrar a indispensável gilbardeira, com as suas bagas vermelhas nascidas de folhas duras e espinhosas, vai sendo cada vez mais difícil encher o balde com o tapete que há-de fingir um chão verde e fresco. Andamos todos a pagar os desmandos da ignorância e da ambição desmedida e a Natureza vai dando sinais muito preocupantes... Neste ano, quando chegou a altura de colocar a imagem do Menino no lugar que lhe pertence, houve uma saudável disputa entre as crianças. Quem teria a honra de colocar "O mais importante" no seu lugar? Comoveu-me a solução encontrada pelos miúdos: cada um pegou em seu braço e assim desceu ao centro a imagem mais pequena, mostrando que o ínfimo pode bem ser expressão do maior, daquele que mais importa.

Terminada a “obra de arte” efémera, divulguei pelos amigos e conhecidos o resultado, não resistindo ao exibicionismo ingénuo de que todos vamos sendo mais ou menos vítimas incautas. Horas depois, ao abrir a minha caixa de correio, estavam lá depositadas as palavras de um (verdadeiro) amigo. Sem vocativo nem despedida, percebi que tinham sido escritas após a observação das fotografias do nosso presépio. Não seria curial trazê-las para o domínio público, mas interessa-me registar que elas me recordaram, picando-me, como se fossem um pampilho dos campinos ribatejanos, o que mais importa no Natal: o ínfimo que alcança a suprema importância.

Época de alegrias, de felicidade - mas também de euforias fabricadas, manipuladas pelo consumo -, o Natal leva-nos, frequentemente, ao esquecimento daqueles que assim não sentem, travando diariamente uma terrível luta com a angústia, com o vazio ou com o negrume, mal conseguindo esboçar um sorriso perante as agruras da doença, do desemprego ou de uma dignidade perdida, tentando arranjar uma réstia de ânimo para se levantarem da cama sabendo-se alvo de injúrias e de incompreensões, querendo elevar o coração apesar de se verem sem teto, sem alimentos dignos, sem uma companhia ao lado ou à distância, sem os seus entes queridos. Mesmo quando os lembramos nesta época de preparação para a festa do nascimento de Jesus Cristo, tantas vezes os olhamos como grãos de pó que é importante sacudir da lembrança, não vá ela ficar toldada (menos “alegre”) pelas suas nuvens incómodas. E, no entanto, foi sobretudo para estes nossos companheiros de existência que a encarnação do Divino Infante aconteceu e continua a acontecer, enquanto recordação rediviva e atuante. Bem sei que esse acontecimento milenar pouco ou nada interessa a uma sociedade onde o dinheiro é deus e rei, mas a verdade não tem outro conteúdo nem a festividade outro sentido, mesmo que o alheamento das luzes comerciais e financeiras nos tentem virar o olhar para lugares distintos e sentimentos menos nobres. Esquecer o sentido do Natal é esquecer tudo. Não há outro caminho. Ou somos incomodados por ele ou não vale a pena comemorá-lo.

Nestes dias que nos conduzem à tão desejada jornada, teríamos certamente vontade de ser um pouco subversivos e, de uma vez por todas, substituirmos a correria pelas lojas por uma correria por muitos daqueles que precisam da nossa presença ou, pelo menos, da nossa palavra. De boas intenções está cheio o mundo inferior, pensarão... Muitos temos compromissos familiares ou sociais e facilmente, nestas semanas e naquela noite venturosa, esquecemos os que estão sós, sem ânimo ou com a sua dignidade erodida. Não é fácil irmos ter com eles ou trazê-los à nossa presença. Não é contudo difícil, no momento certo, marcarmos o nosso companheirismo com uma palavra oportuna ou, até, com um gesto ou com uma mensagem que vá além daquelas que mandamos por atacado a todos os nossos "amigos" que, tantas vezes, nem conhecidos são na verdadeira aceção do vocábulo. Se calhar será esse o momento mais alegre ou mais feliz da noite. O momento em que o Natal nos incomodou. Creio que sim. Afinal o Paráclito é aquele que nos espicaça e consola... (Espero, sinceramente, não ser como frei Tomás...)"

Ruy Ventura, Poeta e investigador
Publicado em SNPC a 6 de dezembro de 2017

Uma janela aberta


David LaChapelle
Prisioneiros recuperam arte sacra

"Detidos da penitenciária de Noce, em Itália, juntamente com os seus professores, restauraram uma estátua da Virgem Maria pertencente à paróquia de Jesus Adolescente, próxima do estabelecimento prisional. Não é a primeira vez que ocorre esta forma de colaboração entre a prisão, uma instituição da Igreja e a comunidade paroquial, com o traço de união a ser assegurado por um docente que trabalha dentro da casa de reclusão, Raffaele Adamo, pertencente à paróquia.

Dentro da prisão funciona uma secção do Instituto de Instrução Superior Bonaventura Secusio. «O ano passado restaurámos dois Meninos Jesus e no próximo mês de março faremos restaurar uma estátua de S. José», explica o pároco. No último domingo, na restituição da reprodução da Virgem Maria, esteve presente um detido, que foi devidamente autorizado e que explicou à comunidade os trabalhos que foram realizados», referiu o P. Tino Zappulla.

O acontecimento foi especialmente seguido pela comunidade, com a igreja repleta. «Durante o Advento, além disto, fazemos uma recolha de ofertas para ajudar os detidos que têm dificuldades económicas para comprar roupa.»

«O ano passado um detido obteve permissão para participar numa peregrinação nossa. A comunidade mostrou-se capaz de compreender como certos erros podem ser recuperados, também através destas formas de ajuda», concluiu o pároco."

Maria Gabriella Leonardi in "Avvenire"
Traduzido para SNPC

O que a Bíblia NÃO diz sobre a homossexualidade



Bibliografia:
- ALISON, James. Fé Além do Ressentimento: fragmentos católicos em voz gay. São Paulo: É Realizações, 2010.
- ALTHAUS-REID, Marcella. The Queer God. London: Routledge, 2001.
- BESSON, Claude. Homossexuais Católicos: Como sair do Impasse. São Paulo: Edições Loyola, 2015.
- BUSIN, Valéria Melki. Homossexualidade, religião e gênero: a influência do catolicismo na construção da autoimagem de gays e lésbicas. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião). São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2008.
- CANDIOTTO, Cesar; SOUZA, Pedro de (orgs.). Foucault e o cristianismo. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.
- CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 1998.
- CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o Atendimento Pastoral das Pessoas Homossexuais. 1986.
- ENDSJØ, Dag Øistein. Sexo e Religião: do baile das virgens ao sexo sagrado homossexual. São Paulo: Geração Editorial, 2014.
- FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I: A Vontade de Saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988 [1976].
- GOMES, Ademildo; TRASFERETTI, José. Homossexualidade: orientações formativas e pastorais. São Paulo: Paulus, 2011.
- GREENBERG, Steven (Rabino). Judaísmo e Homossexualidade. Palestra (em inglês) oferecida em 26 de maio de 2014, no Midrash Centro Cultural, Rio de Janeiro:
- MACHADO, Maria das Dores Campos; PICCOLO, Fernanda Delvalhas (orgs.). Religiões e Homossexualidades. Rio de Janeiro: FGV, 2010.
- MUSSKOPF, André. A Teologia que sai do armário - um depoimento teológico. Impulso, Piracicaba, 14(34): 129-146, 2003.
- MUSSKOPF, André. Talar Rosa: Homossexuais e o Ministério na Igreja. São Leopoldo: Oikos, 2005
- NATIVIDADE, Marcelo. Deus me aceita como eu sou? A disputa sobre o significado da homossexualidade entre evangélicos no Brasil. Tese (Doutorado em Sociologia e Antropologia). Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, 2008.
- REDELL, Petra Carlsson. Mysticism as Revolt: Foucault, Deleuze and Theology Beyond Representation. Aurora, Colorado: The Davies Group, 2014.
- RUBIO, Alfonso García. Elementos de Antropologia Teológica: salvação cristã: salvos de quê e para quê? 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.
- SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA O CLERO. Diretório Catequético Geral. DCG. 1971.
- SEVERO, Julio. O Movimento Homossexual. Venda Nova: Betânia, 1998.
- WINK, Walter et. al. Homossexualidade: Perspectivas Cristãs. São Paulo: Fonte Editorial, 2008

Pastor homofóbico espalha o ódio e afirma que a solução para acabar com a SIDA é matar os gays

Se o diabo existisse em pessoa, poderia ser este pastor...

Transcrevo em inglês uma triste notícia que nos dá conta dos discursos de um pastor que já foi preso no Botswana e expulso da África do Sul, mas que em terras presididas pelo Trump encontra espaço e liberdade para atentar contra os direitos humanos mais básicos.


By Bil Browning, Wednesday, December 6, 2017

America’s most homophobic preacher exhortation to Americans to kill all LGBTQ people is making the rounds again. Steven Anderson’s hatred may have gotten him arrested in Botswana and banned from South Africa, but his freedom of speech allows him to spew his vitriol in America. In the sermon, Anderson tells his flock that God demands all LGBT people be put to death and encourages them to do “as the Lord commands” by Christmas. The church uploaded the sermon online.

“Turn to Leviticus 20:13,” he says in the video, “because I actually discovered the cure for AIDS.”

“If a man also lie with mankind, as he lieth with a woman, both of them have committed an abomination: they shall surely be put to death. Their blood shall be upon them,” Anderson reads.

“And that, my friend, is the cure for AIDS. It was right there in the Bible all along — and they’re out spending billions of dollars in research and testing,” he said. “It’s curable — right there. Because if you executed the homos like God recommends, you wouldn’t have all this AIDS running rampant.”

Anderson goes on to say that LGBTQ people cannot be Christians and that he would not allow gay people to attend his services.

“No homos will ever be allowed in this church as long as I am pastor here,” he shouts. “Never! Say ‘You’re crazy.’ No, you’re crazy if you think that there’s something wrong with my ‘no homo’ policy.”
Watch the videos from 2014 below if you have the stomach for it.

Para ver os vídeos:

Saber mais:
Ouvir a entrevista relacionada com este artigo: The anti-gay interview that got American hate pastor arrested in Africa
Sobre as vítimas do ataque terrorista em Paris: Antigay pastor: Victims of Paris terror attacks deserved to die

Uma centena de católicos LGBTIQ de 35 países reuniu-se em Munique-Dachau

Resultados da 2ª Assembleia da Rede Global de Católicos Arco-íris “Atende o meu Clamor” (Salmo 17,1)

4 de dezembro, 2017

“Os atos Homossexuais são um pecado” – pelo menos de acordo com a doutrina da Igreja Católica Romana. Entretanto, a Rede Global de Católicos Arco-íris (GNRC) trabalha em prol da justiça e aceitação das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgénero, intersexo e queer (LGBTIQ) na Igreja Católica. Sob o apelo bíblico “Atende o meu Clamor” (Salmo 17,1), quase 100 Católicos Arco-íris de mais de 35 países se reuniram em Munique-Dachau de 30 de novembro a 3 de dezembro de 2017, com o objetivo de desenvolver uma agenda comum para o futuro.

A jornada de fim de semana valeu a pena! No sábado 2 de dezembro, a Rede Global de Católicos Arco-íris foi oficialmente fundada como associação. O lugar do registo é, como é evidente, em Roma, pois aqui mais do que em nenhum outro lugar é necessário chamar a atenção dos líderes da Igreja.

Uma atenção especial da Assembleia foi dirigida à região de África, em paralelo com outros encontros para as regiões da América Latina e da Ásia-Pacifico, pois o dia-a-dia das pessoas LGBTIQ em muitos países africanos é de constante perigo. Durante a assembleia, a Rede Africana de Católicos Arco-íris colocou sobre a mesa uma moção instando a GNRC a fazer ouvir a sua junto do Vaticano: “Apelamos à Assembleia Geral da GNRC para que solicite ao Papa, e à Igreja Católica Romana, que fale sobre a inclusão de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgénero, intersexo e queer (LGBTIQ) na Igreja”.

Estamos profundamente preocupados com o facto de que mais de 70 países criminalizem as condutas sexuais consentidas entre adultos do mesmo sexo, sendo a maior parte deles países africanos. As condutas sexuais consentidas entre pessoas do mesmo sexo são condenáveis com pena de morte na Nigéria, Mauritânia, Sudão e em alguns setores da Somália. Leis penais deste tipo, sejam ou não aplicadas, contribuem para ambientes de perseguição e geram violência para com as pessoas LGBTIQ. A violência dirigida a indivíduos LGBTIQ move-se a partir da violência geral (tais como assaltos) até às mais brutais mortes (assassinatos). “Instamos a hierarquia da Igreja a que se comprometa no ensino, oração e atos contra qualquer legislação que enfraqueça a dignidade humana e oprima qualquer minoria, incluindo as pessoas LGBTIQ”, completou a Rede Africana. O apelo foi aceite pela Assembleia da GNRC. Assim, o trabalho deve começar imediatamente.

Responsável da coordenação das próximas atividades é o recentemente eleito diretório da GNRC. Os seus membros provêm de diversas regiões do mundo:
Joanita Warry Ssenfuka (35), Freedom and Roam Uganda (Uganda)
Brizan Ogollan (34), Upper Rift Minorites (Kenia)
Benjamin Oh (36), Acceptance Sydney (Australia)
Joseanne Peregin (56), Drachma Parents Group (Malta)
Christopher Vella (39), Drachma LGBT (Malta)
Ruby Almeida (61), Quest (UK / India)
Francis DeBernardo (58), New Ways Ministry (USA)
Andrea Rubera (52), Cammini di Speranza (Italia)
Fernando González (37), Padis+ (Chile)

Os Codiretores da GNRC são Ruby Almeida e Christopher Vella.
Entre os 89 participantes da Assembleia só estiveram presentes 19 mulheres e 1 mulher transgénero. Uma maior representação das mulheres das pessoas transgénero é um importante desafio da GNRC para o futuro.

Mesa Directiva da GNRC
Rede Global de Católicos Arco-íris 2017


Sítio Web: www.rainbowcatholics.org E.mail: media@gnrcatholics.org

Twitter: GNRCatholics Facebook: GlobalNetworkofRainbowCatholics

A Rede Global de Católicos Arco-íris (GNRC) é formada por organizações e indivíduos que trabaham em prol do cuidado pastoral e da justiça para com as pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, intersexuais e queer (LGBTIQ) e das suas famílias. A rede trabalha a favor do reconhecimento, inclusão, dignidade e igualdade desta comunidade na Igreja Católica Romana e da sociedade em geral. A GNRC foi fundada em outubro de 2015 na conferência de Roma, “Os Caminhos do Amor”, com 80 participantes de 30 países. À data a GNRC representa 25 grupos de católicos LGTBI, as suas familias e amigos de todos os continentes.

Ler no site GNRC

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A beleza é sempre a marca da presença de Deus no mundo

Deus vem ao mundo em cada meu acto de bem

"(...) O Menino-homem-Deus que (...) vem ao ser mundano recapitula e assume toda a bondade e toda a beleza da criação, toda, a incoativa e toda a que esta permitiu, absolutizando-a, porque a chama a si.

O mal, essa impotência de fazer bem, perante o absoluto da beleza, que é esplendor do bem, de Deus, de insignificante, passa a nulo. Mas não sem que, antes, o Menino, feito homem, tenha de, a fim de tudo ser perfeito na atualização do possível, experimente, não o mal, mas as suas consequências, para logo, manifestando o absoluto poder do bem, da vida, e do bem da vida, restaurar a plenitude da possibilidade do bem, através da sua ressurreição, segundo Natal, segundo absoluto de beleza.

A beleza é sempre a marca da presença de Deus no mundo, a custódia irradiante do absoluto da bondade, isso que dá o ser apenas pelo bem de fazer bem.

A experimentar pelo ser humano, esta glória do bem que se faz, de Deus que vem ao mundo em cada meu ato de bem. Perante isto, como empalidece toda a idolatria do mal de que em grande parte é feita a história."

por Américo Pereira, Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Ciências Humanas 

Ler texto na íntegra em SNPC

A infância de Jesus

Max Liebermann

Por onde anda o menino (Jesus)?

«Na pintura ocidental, o Jesus menino e adolescente, sobretudo através dos seus gestos, é já muitas vezes um adulto num corpo em formato reduzido. Em particular, não é fácil encontrar obras que retratem uma infância normal, como estamos habituados a observá-la.»

Esta constatação foi proferida pelo historiador de arte francês François Boespflug, autor do ensaio “Jésus a-t-il eu une vrai enfance?” (“Jesus teve uma verdadeira infância?”, 208 pág., ed. Cerf.), que apresenta reproduções por vezes surpreendentes de obras-primas, de uma “Sagrada Família” (1342), de Simone Martini, até “Jesus aos doze anos no templo”, de Max Liebermann (1879), passando pelo “S. José carpinteiro” (1640), de Georges de La Tour.

O que o levou a escrever esta obra? Em primeiro lugar, uma longa pesquisa infrutífera de escritos sobre a maneira como os pintores preencheram o silêncio dos Evangelhos sobre a juventude de Jesus, entre o nascimento e os 30 anos. O que fez e viveu? E sobretudo, como assumiu o facto de ser Filho de Deus? Não sabemos nada. Sendo assim, os pintores, quando retratam Jesus menino, adolescente ou na oficina de José, até à sua partida, em que é que se baseiam? Talvez em alguns textos, como os evangelhos apócrifos ou as visões de místicos. Mas sobretudo tiveram, de muitas formas, carta branca e puderam imaginar muitas coisas. Eu perguntei-me precisamente sobre que ideia desta juventude foi feita a arte pictórica ocidental.

Sublinha que são raras as representações dos comportamentos habituais de uma criança normal. O que quer dizer?O Menino Jesus dos pintores não é quase nunca representado enquanto come, cai, anda de gatas, aprende a ler, escreve. E em paralelo há textos apócrifos que se lançaram em elaborações, não acreditadas pela Igreja, em que se explica que Jesus já sabia tudo, a tal ponto que na escola corrigia os seus mestres. Do conjunto de representações que pude consultar, emergem três escolhas prevalentes dos pintores: Jesus soube sempre tudo desde o início; Jesus teve de aprender; Jesus aprendeu a viver conservando o pressentimento daquilo que o espera. Neste último caso, portanto, é um crescimento com uma dimensão humana mas atravessada por pressentimentos proféticos.

Georges de La Tour
O conjunto destas obras é vasto?Sim, vastíssimo. As obras são inúmeras. A infância de Jesus fascinou os pintores, inclusive através dos motivos da Virgem com o Menino, da Sagrada Família, de Jesus no meio dos doutores do templo. Entre os historiadores foi muito debatida a questão da perceção da infância através dos séculos e, em particular, a presumida passagem brusca à idade adulta, atribuída na época pré-moderna. Neste sentido, ao longo dos séculos, pode por vezes intuir-se uma correlação entre o interesse da arte pela infância de Jesus e a evolução das ideias que a sociedade elaborou a propósito da infância.

Há obras ou soluções pictóricas que o surpreenderam particularmente?Direi sobretudo as obras pictóricas, mas por vezes também da escultura, em que Jesus é apresentado enquanto dorme sobre a cruz, ou é visitado por anjos que lhe levam os símbolos da Paixão, como o chicote, a lança, a esponja. Nestas representações o observador pode interrogar sobre o facto de este Jesus não parecer poder conhecer a serenidade infantil. Isto tocou-me muito, inclusive de um ponto de vista das interrogações teológicas que essas figurações parecem explicitar. Podemos considerar essas pinturas conformes a uma séria consideração do tema da Incarnação? Em que sentido o Filho de Deus se tornou homem? É concebível uma plena humanidade se não houve uma plena infância? A nossa visão antropológica permanece a de um acesso à plena humanidade através de uma aprendizagem longa e pontuada por erros e quedas, Os pintores não terão, talvez, privado Jesus desta plenitude da infância?

A associação da infância e da Paixão numa mesma tela é um tema raro?Não tão raro. No olhar de certos pintores a futura crucificação é já plenamente experienciada pelo Menino. Não faltam até representações do Menino ligado a uma cruz. Isto pode ser só o fruto da imaginação dos pintores.

Diante da “carta branca”, os pintores ativeram-se a alguma forma prevalente de prudência? Os artistas mostraram, em geral, a vontade de respeitar os dogmas ou aquilo que compreendiam melhor da dimensão dogmática. Em numerosos casos, tenho a impressão de que esta prudência foi acentuada até para além de quanto provavelmente se poderia esperar deles, sobretudo no ponto da consciência que o Menino tinha da sua própria origem. A Igreja não lhes pediu necessariamente para apresentarem uma interpretação similar, mas ao mesmo tempo não a impediu. Os gestos do Menino que se mostra já como um ensinador explicitam interrogações sobre o mistério da Incarnação de que, provavelmente, os pintores não estavam, em muitos casos, plenamente conscientes. Muitas vezes, a exigência que prevaleceu foi a de criar telas destinadas antes de tudo à devoção popular. Por outro lado, a valorização da infância como modelo espiritual na pregação evangélica beneficiou muito do sucesso das representações infantis de Jesus. Num certo sentido, por isso, as palavras de Jesus encorajaram a própria valorização da sua infância na arte. Isto faz-nos refletir também sobre o lugar particular da infância no cristianismo, também em relação às outras tradições religiosas."

Daniele Zappalà in "Avvenire"
Tradução de Rui Jorge Martins para SNPC

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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